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Construção Civil - Estruturas bem calculadas

Tecnologia avança, mas não exclui necessidade de experiência nos projetos de cálculo estrutural
Data: 01/07/2011 Revista > Edição 36 > Pag. 8


De régua, prancheta e calculadora, a Engenharia Estrutural não sobrevive mais. Hoje, com a tecnologia da informação e o uso indispensável de softwares, o que era projetado em meses pode ser concluído em alguns dias ou até mesmo em poucas horas. Apesar do avanço sem precedentes, fica o alerta sobre o limite entre a ação do profissional e o emprego das novas tecnologias na garantia de projetos de qualidade e que garantam segurança à sociedade.
 
A chegada de novos softwares resultou em vantagens, a exemplo do ganho de tempo para efetuar a análise do comportamento da estrutura, além da possibilidade de aumentar a quantidade de projetos elaborados em um mesmo período. Por outro lado, ocasionou o risco de, no caso de engenheiros pouco experientes cometerem falhas por confiar unicamente nos resultados emitidos pela máquina sem uma análise crítica, ou até mesmo o risco de embevecimento com os programas de computador e certa facilidade de utilizá-los.
 
Em janeiro deste ano, um erro de cálculo no projeto estrutural causou o desabamento de um prédio de 30 andares em Belém (PA). Apesar da fatalidade, o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Estrutural (Abece), Eduardo Barros Millen, revela que a probabilidade de erro é muito pequena, embora os danos nas construções tenham nos erros de projeto sua causa de maior frequência. “O softwares são ferramentas extraordinárias, mas não substituem a  ecessidade do profissional realizar lançamentos de estrutura e definir muito bem a distribuição de cargas e esforços na obra. A concepção do sistema estrutural quem dá é o engenheiro”.
 
Em contraste com esse cenário de progresso e transformação, o engenheiro e professor Antônio Carlos Reis Laranjeiras lamenta haver um descompasso entre a rapidez do avanço tecnológico e a pouca capacidade de adaptação dos engenheiros às novas situações geradas pelo mesmo. “Essa dificuldade vai desde o extremo da tecnofobia, passa pela rejeição aos novos procedimentos, até a mera incapacidade de perceber as mudanças da Engenharia. A consequência desse cenário é uma vagarosa atualização das normas técnicas e do ensino superior, que implica a necessidade de uma nova pedagogia e da readequação dos papéis dos atores envolvidos: professores e alunos”.
 
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP/MEC) apontam que em 2009 houve um aumento de 30,8% no número de formados nos cursos referentes à Engenharia Civil. Só no setor estrutural, de acordo com a Abece, em todo o País, somam 4 mil engenheiros e cerca de 300 escritórios. Apesar de o número ainda ser insuficiente para suprir a necessidade do setor da construção civil, o presidente da entidade defende a participação apenas de  ngenheiros experientes na hora de conceber o projeto estrutural e acompanhar a obra com controle de qualidade. “Um recém-formado não tem a mínima condição de fazer sozinho um cálculo estrutural. Ele precisaria de, no mínimo, quatro anos de aprendizado prático em escritório de engenharia, com o auxílio de profissionais qualificados, para adquirir experiência”.
 
A capacitação exigida pelas empresas vai além da experiência técnica. Isso significa dizer que o engenheiro civil não deve ser mais apenas um técnico de Engenharia Civil, mas necessita estar apto para conduzir negócios, ter visão administrativa, conhecimento de recursos humanos e entender de finanças. “As empresas querem ter os engenheiros que produzam lucro desde o primeiro dia de trabalho.
 
Cada projeto ou cada obra é mais um novo negócio, com administração autônoma, com metas e resultados predefinidos, tudo a cargo do engenheiro”, acrescenta o professor Laranjeiras.
 
Na tentativa de atingir a qualidade e a garantia desse processo, a Abece criou, em julho do ano passado, o Seguro de Responsabilidade Civil Profissional, com o objetivo de certificar as responsabilidades civis decorrentes de erros ou omissões no desenvolvimento da atividade profissional. Paralelamente a essa medida, a entidade também sugere a contratação de um segundo ou até terceiro escritório de engenharia estrutural para revisão dos projetos de obras.
 
De posse dessas medidas, basta caminhar na direção de um projeto simples, de acordo com as normas, utilizando  programas com os cuidados adequados na modelagem da estrutura e na análise dos resultados. “Para evitar erros, o engenheiro deve ter conhecimentos científicos e técnicos bem consolidados, ter experiência profissional e não se ater apenas às questões estruturais, mas também analisar questões de geotecnia, hidráulica, durabilidade, manutenção e uso, afeitas ao projeto e execução da construção”, completa o engenheiro civil e professor da Ucsal Jorge Fortes Filho.
 Por Cleide Nunes
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