X
Acesso aos Serviços

página / Institucional /CREA-BA

Revista 31

Data: 01/04/2010 Revista > Edição 31

 

Editorial

Abaixo a relativização dos impactos

Dois assuntos abordados nesta edição da Revista Crea-BA remetem a um ponto em comum: a desconsideração da análise de impacto que ronda  pequenas e grandes obras de nosso tempo. Nas matérias sobre as possíveis instalações de uma usina nuclear no estado e sobre a construção da ponte que ligaria Salvador à Ilha de Itaparica, vemos claramente a falta de empenho no sentido de se priorizar a apresentação de estudos conclusivos e bem embasados, que apontariam à sociedade o que tais obras representam para o meio ambiente, para a infraestrutura, para a ocupação do solo, para o mercado imobiliário e, num sentido mais amplo, para a qualidade de vida dos cidadãos.


Estamos acostumados a lidar com informações dialeticamente muito bem construídas e revestidas de um excessivo grau de positivismo que enfatizam, dentre outros fatores, a geração de emprego e renda, o desenvolvimento regional e o progresso em si. Poucos são os que apresentam aos cidadãos a equação completa com ônus e dividendos. Não basta dizer que a ponte ou a usina são boas alternativas: é preciso demonstrar, comprovar por A mais B o que isso representa nos seus mais variados aspectos – técnico, econômico e social.


Outros pontos pouco enfatizados são os cronogramas físico/financeiros e os estudos de viabilidade econômica, nem sempre apresentados com clareza. Assistimos em nosso estado, e no resto do País também, à realização de obras que se arrastam por tempo indeterminado e não há sequer a responsabilização nem sobre o atraso, tampouco sobre os infindáveis aditivos financeiros.


Não se trata de ser contra ou a favor, o que queremos é algo coerente com os princípios básicos da ética, da transparência e do planejamento urbano sustentável e justo. Resumindo, não podemos assinar embaixo da cultura da relativização dos impactos e da maximização dos lucros. Não basta que saibamos manipular planilhas. É preciso traduzi-las pelo viés social num idioma compreensível para a maioria. Todo projeto, para ser bom, tem que traduzir os anseios sociais.


Jonas Dantas
Engenheiro Agrônomo e presidente do Crea-BA

 
COMPARTILHE ESTE CONTEÚDO

notícias

ver todas

revista

Revista 66

Edição 66 | 2019


outras edições