Na
Bahia, as reservas de gás natural (GN) são estimadas
em 55 bilhões de metros cúbicos. A expectativa
é que, até o final de 2003, Salvador disponha
de um sistema de abastecimento residencial, com a conclusão
da estação de distribuição do Stiep.
Outra projeção importante é a crescente
utilização da versão veicular. Em 2002,
houve um incremento de 60%, em relação a 2001,
no número de veículos convertidos.
O aumento
da demanda tem gerado inúmeros debates focados, entre
outras questões, nos avanços tecnológicos,
na eficiência energética e na redução
dos impactos advindos da exploração do produto
em áreas de proteção ambiental. Em março,
a cidade abrigou vários eventos sobre o combustível.
O principal deles, a 1ª Semana Baiana de Combustão
do Gás Natural, organizada pelo Senai-Cetind, contou
com o patrocínio do Crea-Bahia.
Como parte
das discussões sobre o assunto refere-se às instalações
do gasoduto da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás),
o item segurança, abordado no evento pelo professor José
Geraldo Pacheco, do Departamento de Engenharia Química
da Ufba, é uma das principais preocupações
do Conselho. Pacheco alertou sobre a necessidade de medidas
educativas e preventivas destinadas ao público que passará
a utilizar o GN. Especialista em engenharia de segurança,
o professor lembrou que os riscos de vazamento, explosão
ou asfixia, por exemplo, são os mesmos do GLP. Por ser
um gás mais volátil, o uso do produto determina
a existência de áreas para exaustão junto
ao piso e ao teto de cozinhas e banheiros.
Membro
do GT de Engenharia de Segurança do Trabalho do Crea,
José Ramalho Filho estende os cuidados à manutenção
de redes de gasodutos, que deve ser feita em caráter
permanente e preventivo, com monitoramento constante de toda
a extensão da malha. Outro fator fundamental apontado
pelo diretor da Associação Baiana de Engenharia
de Segurança (Abese) diz respeito ao acompanhamento da
vida útil dos dutos, válvulas e ligações.
Quanto
ao interior das residências, Ramalho Filho adiantou que,
embora as redes internas estejam mais protegidas, elas não
estão isentas de vistorias periódicas. Os cuidados
vão desde a inspeção visual aos testes
de pressão. "Em qualquer instância do trabalho,
é imprescindível a presença de mão-de-obra
especializada. Os profissionais devem possuir formação
técnica compatível no âmbito da engenharia,
preferivelmente com especialização em operação
e manutenção de gasodutos", acrescenta.
| Canalização
Com
a conclusão da estação de distribuição
do Stiep, entra em funcionamento, ainda no primeiro
semestre deste ano, o sistema de abastecimento de GN
do Condomínio Aquarius, na Avenida Magalhães
Neto, Pituba. A previsão da Companhia de Gás
da Bahia, empresa que obteve concessão para comercializar
o produto por 50 anos, é que, no segundo semestre,
comece o atendimento aos moradores do Imbuí.
Nos últimos dez anos, a Bahiagás estruturou
a rede de fornecimento. Inicialmente, foram atendidas
as indústrias do Pólo Petroquímico
de Camaçari, Centro Industrial de Aratu e de
Dias D'Ávila. O uso do GN nesta área proporciona
uma combustão limpa, sem agentes poluidores,
ideal para processos que exigem a queima em contato
direto com o produto final (cerâmica, vidro e
cimento). Também é utilizado como redutor
siderúrgico no fabrico de aço e como matéria-prima
em processos petroquímicos (produção
de metanol, amônia e uréia). |
Entidades
advertem
Preocupada
com os presumíveis impactos na região de Camamu,
a Apedema (colegiado de entidades ambientalistas), juntamente
com o Crea e a OAB-BA, solicitou à Procuradoria Geral
da República, em outubro de 2001, a abertura de um inquérito
civil com o objetivo de verificar os potenciais danos da prospecção
de gás natural em área de proteção
ambiental. "A Procuradoria não instaurou o inquérito,
optando por celebrar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)
que viabiliza o empreendimento. O problema é que o documento
despreza cuidados ambientais previstos na legislação",
explicou o advogado Rubem Sampaio, representante da Apedema.
Ele cita o Artigo 6º da Resolução nº.
10/88 do Conama que proíbe atividade mineral em Área
de Proteção Ambiental (APA).
Na região
existem sete APAs. "A empresa El Paso, que comanda a exploração,
está na terceira das cinco etapas previstas no projeto
e cada uma dessas fases deveria ser antecedida por um sério
estudo de impactos, o que não aconteceu", ressalta
o advogado.
Insatisfeitos
com a decisão da Procuradoria, Apedema, Crea e OAB solicitaram
a impugnação do Termo de Ajustamento de Conduta
sob a alegação de que a licença ambiental
para exploração de gás natural na região
só pode ser liberada após a realização
de estudos como, por exemplo, de EIA-Rima focado nos resultados
socioambientais dos empreendimentos que apresentam grande impacto
sobre o meio ambiente. A impugnação está
sendo avaliada pelas procuradorias gerais da República
e do Estado.
Projeções
ampliadas
O início
da operação do Campo de Manati, previsto para
o primeiro trimestre de 2005, deve resultar em um acréscimo
de aproximadamente 3,7 milhões de m3/dia na produção
de gás natural no Estado. Segundo fontes da Petrobras,
além de favorecer a industrialização gerando
um grande número de empregos indiretos, o aumento na
extração do produto irá criar uma série
de novos postos de trabalhos em todas as áreas da engenharia.
Estão previstos aproximadamente 60 empregos diretos na
atividade operacional do campo.
Localizado
na Bacia de Camamu, próximo a Morro de São Paulo,
a produção do campo se dará através
de sete poços interligados à plataforma, de onde
o gás será transportado por um gasoduto de 120km
até uma estação de tratamento, em São
Francisco do Conde.
Esta concessão
é explorada por um consórcio formado pelas companhias
Petrobras, Queiroz Galvão e Petroserv e tem uma reserva
total estimada em 23 bilhões de m³, devendo atingir
um pico de produção da ordem de 6 milhões
de m³/dia. Este volume atende às projeções
de ampliação do mercado consumidor, incluindo
os clientes internos, ou seja, a Refinaria Landulpho Alves e
a Fafen, fábrica de fertilizantes. Fontes da Petrobrás
argumentam que atenção especial tem sido dada
aos aspectos ambientais que envolvem este projeto e a sua integração
com a comunidade local. E que todas as exigências legais
estão sendo rigorosamente observadas pelo Consórcio.
Conversão
de motores
Atualmente,
a capital baiana conta com 17 bombas de gás natural veicular
para um número de veículos estimado em 10 mil
unidades. A conversão consiste basicamente na instalação
do sistema de tubulações extras, conjunto de válvulas,
a parte eletrônica e do(s) cilindro(s) de armazenagem,
sem remover qualquer equipamento original. Os componentes principais
são: redutor, válvulas de abastecimento e de cilindro,
chave comutadora (permite operar os dois combustíveis
isoladamente), cano de alta pressão, saco de vento, mangueira
e parafusos. O cilindro de armazenamento mais utilizado pesa
em torno de 60kg, tem capacidade para 15m³, com autonomia
variando entre 180 e 200 quilômetros, em tráfego
urbano. Sua instalação resulta em perda de espaço,
sendo recomendado o reforço das molas de suspensão.
A conversão custa entre R$2 mil e R$3 mil.
Coordenador
de fiscalização do Crea, o engenheiro mecânico
Wilson Jucá explicou que o gás é mantido
sob grande pressão, mas o sistema de válvulas,
associado às manutenções periódicas,
garantem níveis adequados de segurança. Atualmente,
existem 31 empresas registradas no Conselho e credenciadas pelo
Inmetro para fazer a conversão e fornecer a Anotação
de Responsabilidade Técnica (ART). Já a inspeção
veicular é feita por apenas duas oficinas, autorizadas
a fornecer o Certificado de Homologação de Montagem.
As oficinas de conversão e inspeção não
podem ser empresas autônomas, alerta, devendo ter como
responsável um técnico ou engenheiro mecânico.