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Cultura ribeirinha
Crea
e MP incentivam educação ambiental nos municípios
da Bacia do São Francisco
Secretários
de educação, coordenadores pedagógicos,
integrantes de entidades ambientais, membros de conselhos de
fiscalização e promotores de Justiça reuniram-se
no I Encontro Regional para Implementação e Aperfeiçoamento
da Educação Ambiental nas Escolas, realizado na
segunda semana de maio, em Juazeiro. O evento, organizado pelo
Crea-BA em parceria com o Ministério Público,
promoveu a discussão de medidas para o cumprimento da
Lei 9795/99, que obriga as escolas públicas e privadas
a incluir as questões ambientais nas disciplinas do seu
currículo, em todos os níveis de formação.
Com uma série de palestras e debates, o encontro teve
como resultado a criação de uma comissão
encarregada de avaliar os projetos já implantados com
o intuito de elaborar um programa básico para ser disseminado
nos demais municípios. "A proposta é criar
um banco de dados para saber quem, como e de que forma esse
trabalho é realizado", explica Luciana Khoury, promotora
do MP e coordenadora geral do Projeto de Defesa do São
Francisco.
Ecologia e cultura local
A assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta para a inserção
da cultura ribeirinha no ensino formal é o próximo
passo do projeto. O documento, que deve contar com o engajamento
de todos os prefeitos e secretários de educação
das regionais que compõem a Bacia do Velho Chico (Bom
Jesus da Lapa, Chique-Chique, Paulo Afonso, Juazeiro e Barreiras),
se enquadra em um dos objetivos fundamentais da educação
ambiental. "O desenvolvimento de uma compreensão
integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas
relações, envolvendo aspectos ecológicos,
psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos,
científicos, culturais e éticos", define
o Artigo 5o da Lei.
Representantes do MP e do Crea, entre eles o presidente Marco
Amigo, reuniram-se com o prefeito de Sobradinho, Luiz Berti,
para discutir uma linha de ação integrada para
a manutenção e ampliação do programa
de educação ambiental da cidade. A parceria entre
as entidades e ONGs para a implementação de medidas
capazes de adequar o plano diretor municipal ao Estatuto da
Cidade também pautou o encontro.
| Programas
já implantados
Pelo
menos quatro municípios da região já
inseriram as questões ambientais como tema transversal
dos seus currículos, desde o ensino fundamental até
o ensino médio.
Pilão
Arcado - Os professores de geografia são responsáveis
pelas discussões em torno das transformações
produzidas pelo homem na natureza, das secas e do ambiente
municipal; enquanto o lixo, a poluição e a qualidade
do ar que se respira são conteúdos inseridos
em outras disciplinas das ciências naturais e sociais.
Juazeiro
- Estudantes de primeira à quarta série aprendem
sobre potencialidade e degradação dos recursos
naturais; reciclagem; conservação ambiental;
paisagem natural e modificada; tipos de ecossistemas; além
de produção, importância, consumo e desperdício
de alimentos. A partir da quinta série, os alunos passam
a ter contato com o manejo e a conservação ambiental,
os ciclos da natureza, a relação entre sociedade
e meio ambiente, a combinação de alimentos para
uma vida saudável e os benefícios do uso racional
de energia elétrica. Nas turmas de ensino médio,
o ensino ambiental inclui disciplinas como biogeografia do
semi-árido, ecologia e meio ambiente, e tecnologias
adaptáveis ao semi-árido.
Curaçá
- A importância da água como fonte de vida e
bem coletivo permeiam até mesmo o ensino religioso,
onde os mananciais hídricos são valorizados
por serem obra de Deus. Nas aulas de língua portuguesa,
os alunos são estimulados a escrever sobre o tema,
e os cálculos necessários para projetar e construir
cisternas são trabalhados pelos professores de matemática.
O ciclo da água, as formas de captação
e tratamento estão no programa de ciências, enquanto
temas como bacias hidrográficas, a influência
do clima nos meios de produção e as formas de
utilização dos recursos hídricos são
abordados em história e geografia.
Sobradinho
- Gestão dos recursos naturais, agricultura e cidades
sustentáveis, ciência e tecnologia para desenvolvimento
sustentável são assuntos discutidos pelas ciências
naturais e sociais. Nas aulas de matemática, os alunos
realizam cálculos estatísticos e probabilísticos
a partir de informações ambientais coletadas
em jornais e revistas, e estudam pesos e medidas através
de dados sobre coleta seletiva, reciclagem, além da
aplicabilidade de recursos para recomposição
da mata ciliar.
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