O Crea-BA está firmando uma série de convênios
com as prefeituras do interior do estado com o intuito de coibir
a prática do exercício ilegal das profissões
ligadas ao setor tecnológico. O acordo prevê um
incremento na fiscalização de obras e serviços
que dependem de licença ou alvará expedidos pelos
municípios.
Nas 60 localidades conveniadas, os fiscais do Crea remetem
periodicamente ao órgão municipal a relação
de obras clandestinas. E às prefeituras cabe a exigência
da inclusão do nome de profissionais habilitados nos
alvarás de construção, bem como a cobrança
do registro das respectivas Anotações de Responsabilidade
Técnica (ART) para projetos e execução
dos trabalhos.
O intercâmbio de informações inclui o
repasse, por parte das prefeituras, de todos os dados contidos
nos alvarás e autos de infração lavrados
pelo município. Para o supervisor de acompanhamento regional
do Crea-BA, José Augusto Pinto de Queiroz, esse reforço
à inspeção das edificações
na capital e no interior do estado permite o monitoramento das
obras construídas de acordo com as exigências da
legislação urbana. Dessa maneira, é possível
apontar as atividades que, por desconsiderarem requisitos técnicos,
colocam em risco o bem-estar da comunidade. "Como o Crea
não tem poder de embargo, ele cumpre seu papel social
ao repassar às prefeituras a relação dos
serviços irregulares na expectativa de que sejam tomadas
as medidas cabíveis", reitera Queiroz.
As licitações efetivadas na esfera municipal
e cujos serviços forem pertinentes ao Sistema Confea/Crea
também estão previstas no convênio. O documento
estabelece que as empresas interessadas em participar dos processos
licitatórios devam apresentar as Certidões de
Registro e Quitação (CRQ) e de Certidão
do Acervo Técnico (CAT), emitidas pelo Conselho.
Um bom exemplo da eficiência da parceria proposta pelo
Crea é a redução do índice de irregularidades
obtido no município de Itabuna. O diretor do departamento
de projetos e planejamento urbano da cidade, Dagoberto Brandão
de Oliveira, lembra que anteriormente o setor de fiscalização
de obras particulares da prefeitura não era tão
incisivo nas inspeções. "Em muitos casos
prevaleciam os interesses políticos e pessoais. Oitenta
por cento dos fiscais foram afastados e o restante passou por
uma reciclagem", declarou o engenheiro.
A expectativa é que, em 2004, outros 120 municípios
sejam atendidos pela parceria. A diretoria do Crea entrou em
contato com os representantes da União dos Municípios
da Bahia com o intuito de chamar a atenção dos
prefeitos para a importância da assinatura do termo de
parceria. "Apesar das vantagens coletivas advindas do convênio,
alguns municípios, a exemplo de Porto Seguro, são
reticentes quanto à assinatura do documento", lamenta
Augusto Queiroz.