Continuamente
interessado em promover ações de engenharia pública,
o Crea-BA participou da equipe técnica responsável
pela vistoria de 21 blocos entre os 46 que compõem o
Conjunto Habitacional Sussuarana. Foram verificadas as condições
gerais de uso dos edifícios, que têm apresentado
problemas desde 1996, dois anos após a conclusão
de sua construção. Fissuras nas paredes, deslocamento
de pisos e revestimentos e infiltrações foram
as queixas iniciais dos moradores do local, que ficaram responsáveis
pela etapa de acabamento das unidades, quando procuraram o Ministério
Público para garantir que a construtora fizesse os reparos
necessários.
Cinco prédios foram demolidos no ano seguinte. Desde
então, outros edifícios já foram reconstruídos
substituindo as placas pré-moldadas empregadas anteriormente
por estrutura mural.
"Na época da construção, a utilização
dessas placas em edificações era incomum e, ao
longo dos anos, os inúmeros problemas apresentados em
prédios construídos dessa forma comprovaram a
inadequação do material", explicou Leonel
Santos, assessor técnico do Crea.
Embora exista a suspeita de uso de agregado siderúrgico
para substituir a brita na preparação do concreto,
o mesmo só poderá ser comprovado mediante ensaio
laboratorial recomendado pela equipe técnica ao promotor
de Justiça e Cidadania, César Luiz Paiva Correia,
responsável pelo acompanhamento do caso e solicitante
da vistoria. O fato é que os edifícios apresentam
inúmeros vícios de construção, agravados
pela falta de manutenção preventiva.
Moradores aguardam decisão do MP
De acordo com o laudo de vistoria, as anomalias indicam o
descumprimento da NB1 (Norma de Concreto Armado), regra vigente
no período em que o conjunto foi construído e
de outros parâmetros determinados pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). "Cinco blocos
terão de ser monitorados para que a evolução
das patologias seja acompanhada, mas duas unidades apresentam
risco iminente de desabamento, tendo como única solução
a sua reconstrução", declarou o chefe de
gabinete do Crea, Giese Nascimento, sobre os blocos 6 e 8 da
quadra 3, que já foram desocupados e interditados pela
Defesa Civil (Codesal).
Nas outras unidades verificadas, os problemas mais freqüentes
podem ser resolvidos com a impermeabilização das
paredes, lajes e reservatórios de água, e a recuperação
das rachaduras apresentadas nas diversas estruturas. No entanto,
nenhuma medida adicional será tomada até a emissão
do parecer do Ministério Público, para onde o
laudo já foi encaminhado.