Engenharia tronco
Aberto debate sobre o perfil da graduação em engenharia

Diante do surgimento contínuo de novas especializações na área de engenharia, o Crea-BA assume uma postura pioneira na discussão da elaboração de uma etapa comum na graduação desses profissionais. "A retomada dessa questão ocorre em um momento oportuno, quando queremos deter a pulverização da profissão e adequar as diretrizes da Resolução que substituirá a 218 para que a qualidade da formação das diversas modalidades da engenharia não seja comprometida", defende o presidente Marco Amigo.

O debate profícuo produziu duas propostas que estão sendo analisadas pela comissão de ensino e câmaras especializadas no sentido de reestruturar a formação de engenheiros e agrônomos. Um objetivo comum norteia todas essas idéias: a criação de uma etapa básica na graduação desses profissionais. "É preciso trabalhar as bases da profissão para depois pensar numa especialização, assim como ocorre na medicina", defendeu o diretor da Escola Politécnica, o engenheiro eletricista Caiuby Costa, quando apresentou sua proposta sobre o tema na primeira plenária do ano.

A partir dos pontos levantados no debate do modelo de ensino elaborado por Costa, o engenheiro eletricista e conselheiro da câmara dessa área, professor Joaquim Galo, desenvolveu a proposta de engenharia básica que o Conselho apresentará, primeiramente, para entidades e instituições de ensino locais e posteriormente nas reuniões nacionais de coordenadores de câmaras especializadas. Incluindo disciplinas consideradas fundamentais para qualquer campo da engenharia como física geral, cálculo diferencial e resistências dos materiais, a primeira fase da graduação duraria cinco semestres para cursos diurnos e seis para os noturnos. "Os que estudam à noite normalmente conciliam outras atividades e, por isso, devem ter a possibilidade de cursar as disciplinas em um período mais dilatado", justifica Joaquim Galo.

Avanço tecnológico e responsabilidade social

Preocupado com o fortalecimento da visão da engenharia como uma profissão humanizada, o chefe de gabinete Giese Nascimento Filho defende a inclusão do estudo de sociologia na grade curricular. "É preciso formar, acima de tudo, cidadãos, profissionais capazes de conciliar capacitação e avanço tecnológico com um apurado senso de responsabilidade social", acredita. A sugestão foi bem-recebida pelo autor da proposta, que já previa disciplinas mais voltadas para as ciências humanas, tais como direito e filosofia. Joaquim Galo ressalta, no entanto, que esses professores têm de conhecer o contexto de atuação dos engenheiros, de forma a conseguir o envolvimento real dos estudantes.

Outra vantagem dessa estruturação é a possibilidade de que os jovens conheçam mais sobre as diversas áreas da engenharia antes de escolher em qual delas desejam atuar. A opção pela modalidade a ser cursada se daria com o início da fase de formação profissional básica. Sob o argumento de que especializações como engenharia de segurança do trabalho tem uma série de interfaces com outros campos de atuação do profissional, Joaquim Galo preferiu não estabelecer "troncos" para esse período de dois semestres. "Se você troncaliza, acaba tendo dificuldade de encaixar as modalidades que decerto irão surgir, pois o mercado está crescendo de forma muito dinâmica", avalia.

Voltada para a formação profissional específica, a etapa final teria duração de três semestres, sendo que um deles estaria destinado ao desenvolvimento de um projeto. Assim, em lugar de fazer um estágio supervisionado, o estudante anteciparia seu contato com o papel que exercerá quando estiver no mercado de trabalho.

Campo agronômico

"A matriz da agronomia é o solo, o ar, a água, as plantas, os animais e os fenômenos naturais", definiu a conselheira federal Maria Higina Nascimento, mostrando a diferença entre as bases de atuação da agronomia e outras modalidades tradicionais da engenharia. Partindo dessa percepção, os profissionais da área elaboraram uma proposta própria para a graduação. Como o conhecimento comum às diversas especialidades é bem mais amplo no campo agronômico, a primeira etapa está estimada para durar 3,5 anos (sete semestres).

Engenheira agrônoma, Higina explica que sua profissão tem uma base mais agrícola, portanto os agrônomos não precisam estudar disciplinas relativas a "materiais", já que a construção não faz parte das atividades da categoria. O direcionamento para a atuação em áreas como pesca, floresta, fruticultura, pecuária, entre outras, começaria com a prática específica, através de um ano de residência. O complemento dessa atividade se daria com mais seis meses de estágio, perfazendo cinco anos de curso.

Propostas

Engenharia

Formação básica e nivelamento........... 5 a 6 semestres
Formação profissional básica............... 2 semestres
Formação profissional específica.......... 3 semestres

Agronomia

Formação básica................................ 7 semestres
Residência......................................... 2 semestres
Estágio.............................................. 1 semestre.

 

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