Planejamento, gestão tecnológica e industrial,
produtividade com equilíbrio e eficiência. Essas
são algumas das palavras-chaves da engenharia de produção,
um segmento profissional que vem ganhando importância
e espaço na área tecnológica nas últimas
décadas. Contando hoje com cerca de 180 cursos de graduação
em operação (sete vezes mais que há oito
anos) e um quadro de aproximadamente 20 mil alunos, conforme
dados da Associação Brasileira de Engenharia da
Produção (Abepro), este é um setor em franco
crescimento no campo das engenharias e vem se firmando como
uma atividade estratégica para melhoria dos processos
produtivos.
A ampliação das oportunidades de atuação
neste campo de trabalho está fortemente vinculada à
complexidade econômica que o país vem ganhando
nos últimos 20 anos. Apesar da crescente necessidade
da atuação de profissionais preocupados com a
melhor forma de gerenciar os problemas da produção
gerados por este crescimento, o Brasil tem ainda um grande déficit
de mão-de-obra em atividade nessa área, pelo fato
de haver iniciado tardiamente a formação de especialistas,
como afirma o diretor-técnico da Abepro e doutor em engenharia
mecânica, Gilberto Cunha. "Apenas em alguns estados,
principalmente em São Paulo, há um histórico
mais antigo de implementação deste campo. Isto
faz com que exista, no caso dos paulistas, uma cultura bem mais
consolidada de engenharia de produção", complementa.
Otimização do processo produtivo
Durante o século XX, com o surgimento da automatização
de máquinas e de processos administrativos mais complexos
nas empresas, principalmente em relação à
informatização, a importância da gestão
dos recursos materiais e tecnológicos se tornou mais
explícita. "Com o fenômeno da globalização,
potencializou-se esta necessidade de ganho em eficiência
em produtividade, qualidade, flexibilidade, capacidade de integração
e otimização do emprego de recursos. Assim, tivemos
o boom da engenharia de produção no mundo todo,
nos anos 80: fenômeno que chegou com uma década
de atraso ao Brasil", explica Cunha. Para ele, o profissional
é vital na obtenção da competitividade
de qualquer economia no mundo de hoje. "Seu espectro de
atuação abrange todos os setores econômicos
de um país, pois os instrumentos criados em sua base
de conhecimento têm aplicabilidade em empresas de qualquer
setor, não apenas o industrial", ressalta.
O coordenador do colegiado do curso de engenharia da produção
civil da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), engenheiro
Carlos Antônio Alves Queirós, esclarece que esse
tipo de profissional tem sua formação vinculada
à gestão e ao gerenciamento, isto é, preocupa-se
em produzir sem devastar o patrimônio ambiental de uma
região ou do planeta. O engenheiro explica que, para
isso, obtém-se uma sólida formação
em engenharia, informática e administração,
acompanhada de disciplinas próprias de ciências
humanas, o que o habilita a atuar em diversas áreas do
mercado de trabalho. "Os engenheiros de produção
são importantes pela sua formação diferenciada,
por ser um novo olhar e uma nova reflexão sobre as questões
antigas e as questões do mundo moderno informatizado
e globalizado", enfatiza Queirós, que também
é economista com especialidade em gerenciamento da construção
civil.
Engenharia X administração
Apesar de algumas similaridades aparentes, o engenheiro de
produção possui diferenças importantes
em relação a um administrador de empresas. No
caso da administração, há uma característica
mais analítica, focada nos negócios, voltada para
o empreendedorismo e concentrada na gestão dos processos
administrativos e organizacionais de uma estrutura empresarial.
A engenharia de produção está mais preocupada
com a resolução de problemas e com o gerenciamento
dos processos produtivos no interior desta estrutura, sem perder
de vista a relação com o mundo exterior ao ambiente
da fábrica, indústria ou empresa.
Formado há cinco anos em engenharia de produção
mecânica e atualmente trabalhando como superintendente
de manufatura em uma indústria multinacional do setor
automobilístico na Bahia, o paulista Celso Rebolho Colli
reafirma algumas dessas diferenças entre a administração
de empresas e a função que exerce. Ele explica
que o papel do administrador é fazer, por exemplo, com
que a matéria- prima chegue à empresa. A partir
daí, o engenheiro de produção vai trabalhar
com as informações do profissional de administração
para otimizar as atividades, lidando diretamente com as questões
operacionais da produção. "Para este tipo
de engenharia, é preciso conhecer administração
de pessoas, de produtos, saber gerenciar, tem que ter uma ênfase
em manutenção e uma visão global do processo
produtivo", avalia Colli.
Mercado baiano
A Bahia tem hoje o 6º PIB brasileiro e sustenta um dos
maiores parques industriais do Nordeste. Este quadro econômico
em expansão propicia um contexto que requer maior planejamento
e melhor gerenciamento econômico e tecnológico.
"O mercado de trabalho atual para os engenheiros de produção
no estado e principalmente na região metropolitana de
Salvador está em franco crescimento. A nossa expectativa
é que, mantidas as taxas de crescimento da economia baiana,
a tendência é de ampliação das oportunidades
de trabalho", analisa o professor Carlos Antônio
Alves Queirós.
Alguns profissionais especializados em outros campos da área
tecnológica também começam a perceber este
crescimento. Com uma bagagem de 20 anos de experiência
atuando como técnica em instrumentação
industrial, Luiza de Marilak Cotrim Amoedo se formou há
um ano em engenharia da produção mecânica,
pela Unibahia. Desde então já atua na área,
coordenando projetos de uma empresa do Pólo Petroquímico.
A engenheira também vê com otimismo a consolidação
deste setor nos próximos anos. "É um mercado
em expansão. As fábricas do Pólo, por exemplo,
buscam gente formada nessa área, não só
na linha mecânica quanto na petroquímica. Todos
os meus colegas de faculdade estão exercendo atividades
neste campo de trabalho. Há uma grande demanda por este
profissional hoje na Bahia, e a tendência é que
isso continue em crescimento devido ao processo de modernização
e informatização que o setor industrial vem passando
no estado", analisa..