O tempo não pára
Há 50 anos na estrada, engenheiros e arquitetos graduados em 1955 mostram que ainda estão na ativa. Eles foram homenageados pelo Crea no dia 11 de dezembro

O Dia do Engenheiro e do Arquiteto foi marcado por emoção, reencontros e despedidas. Como é tradição, há 13 anos, o Crea-BA homenageia o cinqüentenário de formação dos graduados pela Escola Politécnica (antiga Escola de Belas Artes da Ufba) nos cursos de engenharia e arquitetura. A solenidade, realizada no Hotel da Bahia, reuniu profissionais, familiares, autoridades e nomes importantes da Engenharia e Arquitetura baianas, a exemplo de Affonso Baqueiro Rios e Arilda Cardoso, agraciados com a Medalha do Mérito pelos serviços prestados á comunidade ao longo de meio século.

A data marcou ainda a despedida do ex-presidente do Crea-BA, Marco Amigo, que deixou a instituição após cumprir dois mandatos. Reverenciado pelos homenageados, Amigo falou da importância de fechar sua gestão com o sentimento do dever cumprido. "Sei que fizemos o que pode ser feito, dentro das nossas limitações, para construir o Crea que temos hoje. E tenho certeza de que o próximo gestor fará um excelente trabalho em prol dos profissionais e da sociedade".

Eternos oradores

Para Carlos Maurício, que falou em nome da turma de arquitetura de 1955, a homenagem prestada pelo Crea reforça a função social dos profissionais. "Esta festa é um incentivo. Na verdade, é o reconhecimento aos que trilharam caminhos em benefício de uma sociedade mais justa. É uma honra estar aqui e relembrar, com todos, esse caminho".

Do grupo de ex-alunos da Escola Politécnica, o engenheiro Paulo Visco frisou a importância do evento, que, além de valorizar as categorias, reúne colegas de longa data. "Foi uma bela homenagem que serviu para pensarmos o papel do engenheiro. Isso eleva a nossa auto estima e faz com que lembremos da nossa importância para o desenvolvimento social", afirmou Visco.

Agraciada com a Medalha do Mérito, a arquiteta Arilda Maria Cardoso elogiou o empenho do Crea-BA no reconhecimento àqueles que contribuíram para o desenvolvimento da Engenharia e da Arquitetura na Bahia.

A trajetória de Affonso Baqueiro Rios

Os passos lentos e a voz mansa não impedem que Affonso Baqueiro Rios conte, sem cansar, a brilhante trajetória de sua carreira. Não é à toa que descobriu-se arquiteto aos 10 anos, ao ver o pai trabalhando. De lá pra cá, foram muitas as histórias marcadas por um grau de humanismo e de profissionalismo sem precedentes.

A primeira prova da opção pela arquitetura foi a construção de um tanque d´água, de 15 mil litros. Antes, foi auxiliar de almoxarife, na Universidade da Bahia, passando para apontador de obras e chefe de escritório. A partir daí, não era difícil encontrar o nome de Baqueiro nos projetos da cidade, os quais "se metia em quase todos", como brinca o colega Orlando Sacramento. "Baqueiro procurava os amigos, um a um, para conferir se estavam trabalhando. Caso contrário, não sossegava enquanto não os visse empregados", relembra.

Presidente do Crea-BA por dois mandatos, Baqueiro é o responsável pela construção da sede da Instituição. Aliás, presidir e construir sedes faz parte de sua carreira. Esteve à frente do Sindicato dos Arquitetos da Bahia (Sinarq), do Instituto dos Arquitetos do Brasil - Dep. Bahia (IAB/BA), além de ter construído a sede do Esporte Clube Galícia, do qual também foi presidente e diretor. Ao recordar de cada construção o arquiteto menciona os inúmeros parceiros nessas empreitadas: Ary Penna Costa, Sérgio Pinheiro Reis, Armando Pontes e Benito Sarno estão entre os que o ajudaram a levantar a sede do IAB. "É uma pena que nem todos reconhecem esse trabalho. Não há sequer uma placa em referência a essas pessoas", lamenta Baqueiro.

Hoje, o arquiteto quer ver o Conselho pautado pela engenharia e arquitetura públicas. Para Baqueiro, há uma legião social que depende dos serviços prestados pelos profissionais do segmento tecnológico e não tem como custear. "O poder público precisa fazer algo por essas pessoas", cobra Baqueiro.

 

Histórias dos incansáveis

 

Há meio século no canteiro de obras - A aposentadoria definitiva está distante de parte dos profissionais com mais de meio século de formação. Um claro exemplo da disposição para dar continuidade a décadas de trabalho vem do engenheiro Paulo Visco, da turma de 55. Ele lembra que, desde a execução de seu primeiro projeto, ainda como estudante, em 1953, respira engenharia. "Sempre atuei em canteiro de obras. Trabalho porque gosto e porque preciso sobreviver".

Mais de 1500 projetos - Formado há 57 anos, o arquiteto Francisco Lemos Santana vive entre plantas, projetos e anotações de obras. Aos 80 anos, acumula mais de 1500 projetos. "Eu gosto de trabalhar. O que dá trabalho é cobrar meus honorários", brinca.

Com boa dose de orgulho Francisco Santana conta que trabalhou no cadastro de prédios escolares de Salvador, elaborado em 1949. Segundo o arquiteto, muita coisa mudou. "Hoje, faltam projetos para a cidade. Salvador está mal planejada. Não temos mais grandes projetos porque a arquitetura está concentrada nas mão de poucos", avaliou.

A planta de Salvador na palma da mão - O cadastro de prédios escolares citado por Francisco Santana foi elaborado no Escritório do Planejamento Urbanístico da Cidade do Salvador (Epucs). Criado na década de 40, e conhecido como Plano Mário Leal Ferreira, constitui um marco no planejamento da cidade. Nomes de peso da engenharia e arquitetura baianas atuaram no órgão, extinto há 56 anos. É o caso do arquiteto Orlando Sacramento. Formado pela turma de 55, ele conta que na cidade nenhum órgão atuou como o Epucs na melhoria do mercado para a arquitetura e a engenharia. "O que precisamos é de um planejamento que possa desenvolver a cidade. Com isso não haverá profissionais desempregados. A execução de projetos aleatórios não pode ser mais descentralizada", defende.

Conhecedor da topografia da cidade como a palma da mão, Sacramento mostra os projetos desenvolvidos por ele ao longo dos anos.

Na opinião do amigo e colega de turma Affonso Baqueiro Rios, ninguém melhor do que Sacramento conhece a planta de Salvador. E não é exagero. A história do arquiteto se confunde com a história do desenvolvimento da metrópole. Foi dele, por exemplo, a planta do primeiro projeto urbanizado com energia subterrânea, na área do loteamento Costa Verde, na década de 70. "Não posso deixar de falar que a obra teve o acompanhamento e a avaliação do nosso mestre Diógenes Rebouças", destaca.

Mas vem da diretriz da Av. Luiz Viana Filho o projeto que considera o mais importante. "O projeto foi encomendado para 60 dias e eu consegui fazê-lo em 20 dias", conta orgulhoso. Crítico de suas obras, acha que a cidade precisa se expandir para a Paralela. "Sinto que aquela área precisa de mais projeção urbana. A cidade está crescendo e profissionais precisam atuar daquele lado", sinaliza.

 

No interior

As comemorações do Dia do Engenheiro e do Arquiteto movimentaram vários municípios
do interior do estado

Feira de Santana - A homenagem ficou por conta da Associação Feirense dos Engenheiros (AFENG), que marcou o 11 de dezembro com publicidade em rádio, jornais e outdoor.

Itabuna - A data foi marcada por homenagens. A Inspetoria fez questão de reconhecer a dedicação de seus funcionários e, em especial, do engenheiro Jorge Ribeiro Carrilho, profissional mais antigo da região, ligado ao sistema Confea/Crea. A festa foi realizada no Tarik Plaza Hotel e contou com o patrocínio da Conlar - Material Elétrico Hidráulico e de Construção Ltda. No evento foram distribuídos brindes entre a Inspetoria e os filiados à Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Itabuna e Ilhéus (Arena).

Jequié - A inspetoria apoiou os profissionais do segmento tecnológico, com destaque para a área da construção civil - com um jantar, no Rotary Clube Jequié Norte.

Conquista - A inspetoria promoveu um café da manhã que reuniu mais de 300 pessoas. À noite, a festa continuou com um jantar promovido pela Associação de Arquitetos e Engenheiros da Construção Civil do Sudoeste da Bahia (Area).

 

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