Ponte insegura
Cinco meses após a Inspetoria de Vitória da Conquista ter solicitado a interdição da ponte sobre o Rio Pardo, o tráfego continua intenso no local

A Inspetoria de Vitória da Conquista recomendou a interdição da Ponte sobre o Rio Pardo, que liga o norte de Minas Gerais ao sudoeste da Bahia, no município de Cândido Sales. A ação é resultado de denúncias feitas pelos moradores da região, que suspeitam de problemas estruturais decorrentes da falta de manutenção. Após três dias de fiscalização, os técnicos do Crea elaboraram um laudo apontando 28 irregularidades na edificação.

O parecer, emitido pelo conselheiro e ex-inspetor Leandro Fonseca, em setembro do ano passado, foi encaminhado ao Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (DNIT), além de demais órgãos dos governos federal e municipal. Segundo a avaliação dos técnicos, a não-interdição total e imediata da ponte para os trabalhos de recuperação pode provocar desabamentos.

De acordo com o laudo, além do péssimo estado de conservação das estruturas, a largura e muretas de proteção são inadequadas e insuficientes para atender, com segurança, ao fluxo de veículos e pedestres. A projeção de crianças para dentro do Rio por conta do vácuo provocado pela alta velocidade dos caminhões que atravessam a ponte é um exemplo do drama vivido pelos moradores. A existência de vários buracos na pista, e a ausência, em diversos pontos, de coletores de águas pluviais agravam ainda mais a situação.

Engenheiro civil, Leandro Fonseca denuncia a falta de compromisso por parte da prefeitura e do DNIT em iniciar as obras de recuperação. "Já vínhamos cobrando da prefeitura de Cândido Sales uma posição sobre a falta de manutenção da ponte. Mobilizamos os órgãos públicos e a imprensa, que está nos ajudando nesse sentido", informa. Para o engenheiro, a opção da prefeitura em consertar a ponte sem interditá-la atende a interesses econômicos, uma vez que visa apenas à manutenção do transporte de cargas na região.

Prefeitura recusa interdição

Apesar da advertência dos técnicos, o prefeito de Cândido Sales, Eduardo Pontes, admite a necessidade de reparos, mas evita falar em interdição total da ponte. "Reconhecemos que o comprometimento do Crea-BA trouxe a discussão para a sociedade civil, mas não será preciso interditar a ponte". Na avaliação do dirigente municipal, é possível recuperar a estrutura física interditando apenas uma via. "Se interditarmos as duas vias, haverá um grande transtorno para o comércio de cargas", argumenta Pontes, acrescentando que, montando uma boa estrutura de recuperação, a segurança dos pedestres e dos veículos estará garantida.

O prefeito afirma ter encaminhado à Defesa Civil, na segunda quinzena de novembro, um decreto situando o estado de emergência da ponte, onde foi anexado o laudo emitido pelo Crea-BA. A expectativa da prefeitura é que esse decreto sirva para que o órgão baiano agilize uma vistoria técnica e posterior licitação para o início das obras. "Sabemos que a ponte representa um risco muito grande à sociedade, sobretudo por apresentar rachaduras em cima da pista de rolamento, mas tentaremos resolver logo a questão". Pontes transferiu parte das falhas ao DNIT. "É obrigação do DNIT fiscalizar a estrutura da ponte, mas o órgão sequer se mobilizou para acompanhar esse processo", conclui.

Principais problemas

  • Vigas da estrutura do concreto armado com ferragens expostas e oxidadas.
  • Erosão acentuada sob as cabeceiras da ponte.
  • Acomodação acentuada, com rachaduras de espessura superior a 3,0 (três) centímetros, dos muros de sustentação das cabeceiras.
  • Deterioração dos coletores de águas pluviais.

 

Onde fica


A Ponte sobre o Rio Pardo está localizada no Município de Cândido Sales, a 595km de Salvador e 20km de Minas Gerais. Foi construída em 1948 para fazer a ligação entre o norte de Minas ao sudoeste da Bahia, pela BR 116 (Rio-Bahia). Possui um vão de 102m e 16m de altura e recebe um tráfego diário de cinco mil veículos, sendo a maioria de caminhões pesados. Segundo informações da prefeitura, a ponte foi projetada para suportar cargas de até 20 toneladas, valor bem abaixo do peso de veículos/cargas que trafegam no local, que chegam a 100 toneladas.

 

PÁGINA INICIAL DO SITE
PÁGINA INICIAL DESTA EDIÇÃO
TODAS AS EDIÇÕES