A
Inspetoria de Vitória da Conquista recomendou a interdição
da Ponte sobre o Rio Pardo, que liga o norte de Minas Gerais
ao sudoeste da Bahia, no município de Cândido Sales.
A ação é resultado de denúncias
feitas pelos moradores da região, que suspeitam de problemas
estruturais decorrentes da falta de manutenção.
Após três dias de fiscalização, os
técnicos do Crea elaboraram um laudo apontando 28 irregularidades
na edificação.
O parecer, emitido pelo conselheiro e ex-inspetor Leandro
Fonseca, em setembro do ano passado, foi encaminhado ao Departamento
Nacional de Infra-estrutura Terrestre (DNIT), além de
demais órgãos dos governos federal e municipal.
Segundo a avaliação dos técnicos, a não-interdição
total e imediata da ponte para os trabalhos de recuperação
pode provocar desabamentos.
De acordo com o laudo, além do péssimo estado
de conservação das estruturas, a largura e muretas
de proteção são inadequadas e insuficientes
para atender, com segurança, ao fluxo de veículos
e pedestres. A projeção de crianças para
dentro do Rio por conta do vácuo provocado pela alta
velocidade dos caminhões que atravessam a ponte é
um exemplo do drama vivido pelos moradores. A existência
de vários buracos na pista, e a ausência, em diversos
pontos, de coletores de águas pluviais agravam ainda
mais a situação.
Engenheiro civil, Leandro Fonseca denuncia a falta de compromisso
por parte da prefeitura e do DNIT em iniciar as obras de recuperação.
"Já vínhamos cobrando da prefeitura de Cândido
Sales uma posição sobre a falta de manutenção
da ponte. Mobilizamos os órgãos públicos
e a imprensa, que está nos ajudando nesse sentido",
informa. Para o engenheiro, a opção da prefeitura
em consertar a ponte sem interditá-la atende a interesses
econômicos, uma vez que visa apenas à manutenção
do transporte de cargas na região.
Prefeitura recusa interdição
Apesar da advertência dos técnicos, o prefeito
de Cândido Sales, Eduardo Pontes, admite a necessidade
de reparos, mas evita falar em interdição total
da ponte. "Reconhecemos que o comprometimento do Crea-BA
trouxe a discussão para a sociedade civil, mas não
será preciso interditar a ponte". Na avaliação
do dirigente municipal, é possível recuperar a
estrutura física interditando apenas uma via. "Se
interditarmos as duas vias, haverá um grande transtorno
para o comércio de cargas", argumenta Pontes, acrescentando
que, montando uma boa estrutura de recuperação,
a segurança dos pedestres e dos veículos estará
garantida.
O prefeito afirma ter encaminhado à Defesa Civil, na
segunda quinzena de novembro, um decreto situando o estado de
emergência da ponte, onde foi anexado o laudo emitido
pelo Crea-BA. A expectativa da prefeitura é que esse
decreto sirva para que o órgão baiano agilize
uma vistoria técnica e posterior licitação
para o início das obras. "Sabemos que a ponte representa
um risco muito grande à sociedade, sobretudo por apresentar
rachaduras em cima da pista de rolamento, mas tentaremos resolver
logo a questão". Pontes transferiu parte das falhas
ao DNIT. "É obrigação do DNIT fiscalizar
a estrutura da ponte, mas o órgão sequer se mobilizou
para acompanhar esse processo", conclui.
Principais problemas