por Jane Fernandes
A frota de veículos particulares em Salvador tem crescido
5% nos últimos anos, aumentando o volume de congestionamentos.
Na região do Iguatemi, o problema se agrava nos horários
de pico (8h e 18h). A prefeitura anuncia a construção
de mais um viaduto como forma de diminuir o problema, mas essa
solução é questionada pelo próprio
histórico do local, onde as últimas intervenções
foram ineficazes.
"É preciso avaliar a relação custo/benefício
das intervenções feitas naquela área",
defende o conselheiro do Crea-BA, o urba-nista e especialista
em transportes Armando Branco. Entre as obras a que se refere
está o viaduto Nelson Daiha, onde longos engarrafamentos
se formam diariamente. O orçamento da primeira etapa
do novo projeto é de R$ 10,7 milhões. A expectativa
da Superintendência de Urbanização da Capital
(Surcap) é que as obras sejam iniciadas até julho.
A idéia é construir um viaduto na Avenida Tancredo
Neves, se-parando o fluxo de veículos que segue direto
pela via e os que acessam a Alameda das Espatódias, no
Caminho das Árvores. "O problema é que os
projetos de novas vias não vêm acompa-nhados de
avaliações de impacto no seu entorno", critica
Branco.
Conselheiro do Crea-BA, Armando Branco diz que a única
forma de produzir melhorias reais e duradouras no tráfego
soteropolitano é priorizar o transporte público.
A superintendente de Engenharia de Tráfego, Cristina
Aragón, concorda com a análise e ressalta a insustentabi-lidade
do foco no transporte individual, em qualquer grande cidade
do mundo. "Temos de redirecionar a cidade, promovendo uma
nova dinâmica", aponta. Na sua avaliação,
a implantação das faixas exclusivas para ônibus,
a ser estendida a outras vias, é um passo importante
na transformação dessa realidade.
Embora aprove o projeto de criação de espaços
exclusivos como forma de reduzir o tempo das viagens de ônibus,
Branco considera a medida insuficiente para configurar uma mudança
de foco na gestão de tráfego. Na sua análise,
é preciso que o poder público planeje a cidade
de forma integrada, contemplando transportes, tráfego
e ordenamento de uso do solo.
Outra mudança fundamental é o aumento da taxa
de ocupação dos veículos particulares,
que hoje circulam com uma média de 1,3 passageiro. Assim,
o contingente transportado por um ônibus é o equivalente
ao de 50 carros, sendo que o espaço ocupado por estes
últimos é 20 vezes maior. “A saída
para essa questão seria a adoção do transporte
solidário”, argumenta Aragón. Embora considere
que ainda não é possível prever os prazos
para a adoção de medidas limites, ela não
descarta a implantação do rodízio nem do
pedágio urbano•