|
Acessibilidade
Raio X
GT
do Crea mapeia barreiras no centro de Salvador
As dificuldades
de deslocamento encontradas pelas pessoas com deficiência
em Salvador constituem uma das principais preocupações
do Grupo de Trabalho (GT) de Acessibilidade do Crea-BA, criado
há cerca de um ano. Tendo em vista a intensa movimentação
característica do trecho da Avenida Sete de Setembro
compreendido entre o Campo Grande e a Praça da Sé,
o grupo realizou uma vistoria técnica para levantar os
problemas decorrentes da falta de acessibilidade no local e
seu entorno, em especial os acessos às estações
da Lapa e Terminal da Barroquinha, além dos Barris e
Mouraria.
Esta iniciativa foi reforçada por uma solicitação
da Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente do
Município (Seplam), através de ofício do
secretário Itamar Batista, protocolado no Crea-BA.
No ofício, o secretário expôs a necessidade
de levantar dados para subsidiar a Secretaria na elaboração
de um projeto que contemple a acessibilidade para o trecho,
tornando a cidade mais humana, acessível e democrática
para todos. O parâmetro central para as avaliações
foi o respeito ao Decreto federal nº 5.296/04 e os padrões
determinados pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), principalmente a NBR-9060.
Os componentes
do GT foram divididos de forma que cada equipe tivesse, sempre
que possível, não só profissionais da arquitetura,
engenharia e urbanismo, mas também pessoas com deficiência.
“O objetivo era ir além do olhar técnico,
contando com o ponto de vista de quem vive o dia-a-dia das limitações
impostas pela estrutura urbana para a circulação
de pessoas”, esclarece o presidente do Crea, Jonas Dantas.
A
escassa presença de equipamentos urbanos adaptados às
necessidades das pessoas com deficiência física ou
sensorial chamou a atenção das equipes de vistoria.
A área se caracteriza pela série de barreiras geradas
pela forte presença de vendedores ambulantes sobre as calçadas,
obstáculos diversos, equipamentos arquitetônicos sem
delimitação de espaço ou sinalização
destes pontos explorados comercialmente.
Faltam
vagas de estacionamento adequadas para pessoas com deficiência,
lixeiras colocadas em altura conveniente e banheiros acessíveis.
O número de telefones públicos destinados a esse público
é insuficiente, principalmente quando se refere ao equipamento
adaptado às pessoas com deficiência auditiva. Não
existem semáforos sonoros, essenciais para a orientação
de quem tem deficiência visual.
Os que não enxergam perfeitamente também são
bastante prejudicados nas plataformas de embarque da Estação
da Lapa e Terminal da Barroquinha, nos quais nenhuma informação
é disponibilizada em braille. O acesso às instalações
e a circulação dos usuários são dificultados
também pelas calçadas estreitas encontradas na Barroquinha
e canteiros elevados da Lapa. A estação apresenta
ainda outro forte fator limitador, pois a ligação
dos diferentes níveis é feita exclusivamente por escadas
rolantes, sem previsão de elevadores para o transporte de
cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida.
|
Problemas recorrentes -
Algumas barreiras encontradas com maior freqüência
em toda a área avaliada comprometem também o
direito de ir e vir de pessoas com deficiência, com
mobilidade reduzida – grávidas, acidentados,
idosos, obesos – e de cidadãos em pleno vigor
físico. Veja o resultado.
Desníveis
nas calçadas
- uma diferença pouco superior a 1,5cm já é
suficiente para impedir a circulação em cadeiras
de rodas. As falhas são facilitadas pela ampla presença
de pedra portuguesa, que, além de tudo, é um
material derrapante, oferecendo riscos de queda nos dias de
chuva, além da presença de buracos e tampas
de caixas de inspeção das empresas concessionárias
que estão, em sua maioria, desniveladas, representando
um obstáculo a quem transita pelo local.
Meio-fio - apresenta
irregularidades, com pontos rebaixados para facilitar a entrada
de carros, mas sem rampa para garantir o tráfego de
cadeirantes. Também não é incomum que
o meio-fio tenha mais de 30cm ou esteja abaixo do nível
da pista de rolamento, provocando dificuldades para cadeirantes,
pessoas com deficiência visual e pedestres comuns.
Travessia
- as poucas rampas existentes freqüentemente não
estão em concordância, impedindo o cruzamento
direto entre os dois pontos. Além disso, há
o problema de descontinuidade, facilmente percebido nas praças
Dois de Julho (Campo Grande), Piedade, Relógio de São
Pedro, Castro Alves e da Sé. Enquanto essas áreas
contam com rampas, as mesmas não aparecem nas calçadas
em torno delas, o que, para a equipe de vistoria, revela uma
despreocupação em adequar as condições
de acessibilidade do entorno das estruturas urbanas mais modernas.
|
|
Equipes
Crea, Seplam, Sucom, STP; CTS; Cocas; Sinarq, Elevadore Thyssen
Group, Sindicato de Empresas de Transportes Públicos
(Setps), ONG Vida Brasil, Ipac, Abadef, Ufba – Escola
Politécnica e Faculdade de Arquitetura
|
PÁGINA
INICIAL DO SITE
PÁGINA INICIAL DESTA EDIÇÃO
TODAS AS EDIÇÕES
|