Famílias carentes dos municípios de Ibicaraí
e Itaju do Colônia, no sul da Bahia, serão beneficiadas
com projeto humanitário que incentiva a produção
de mel de abelha. A iniciativa é da Agência de
Desenvolvimento da Nova Zelândia (NZAID). Por intermédio
da sua embaixada no Brasil, a instituição neozelandesa
selecionou projetos de apicultura voltados para o desenvolvimento
econômico sustentável das localidades atendidas.
Entre os selecionados está o trabalho desenvolvido
pelo engenheiro agrônomo Ediney de Oliveira Magalhães,
pesquisador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura
Cacaueira (Ceplac), responsável pelo Setor de Apicultura
do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec). Inspetor auxiliar do
Crea-BA, Magalhães explica que a base do trabalho é
a capacitação das famílias para a criação
racional de abelhas do gênero apis. Além de um
rigoroso acompanhamento técnico realizado por profissionais
da própria Ceplac, com fornecimento de material para
o início da produção, a proposta é
buscar alternativas para geração de emprego e
renda. “Não se trata simplesmente de doar material,
queremos promover o desenvolvimento integrado e sustentável
dessas famílias”, reforça o engenheiro.
De acordo com Ediney Magalhães, esse trabalho teve
início com uma experiência bem-sucedida realizada
em Santa Cruz da Vitória, com apoio financeiro da Organização
das Nações Unidas para Alimentação
e Agricultura (ONU/FAU). Atualmente, 48 famílias da região
vivem da produção variada de mel e derivados (pólen,
própolis e cera).
No projeto atual, sob a coordenação da Ceplac,
foram selecionadas 20 famílias, um público estimado
em 60 pessoas. O apoio prevê a implantação
de quatro apiários em fazendas das regiões de
Ibicaraí e Itaju do Colônia. “Essas áreas
serão cedidas temporariamente para a criação
das abelhas, e os futuros produtores receberão treinamento
em gerenciamento básico de empreendimento apícola;
associativismo e cooperativismo e aproveitamento do mel na alimentação”,
informa Magalhães. A estimativa é que, apenas
no primeiro ano de atividade, sejam produzidos 4.600 kg de mel.
O que representa um retorno financeiro da ordem de R$ 42 mil.
A comercialização dos produtos é feita
pelos apicultores diretamente ao consumidor final (atravessadores,
distribuidores e atacadistas). Parte da produção
é vendida a indústrias, varejistas, associações
e cooperativas. Toda a renda obtida com o projeto será
revertida para as famílias beneficiadas.