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PDDU
Tempo de espera
Crea
pede divulgação irrestrita da minuta do Plano Diretor
de Desenvolvimento Urbano da capital
O
planejamento socioespacial e os parâmetros de crescimento
da capital baiana para os próximos oito anos estão
em debate na revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento
Urbano de Salvador (PDDU). Desde a divulgação
oficial da minuta que reformula a Lei, especialistas, profissionais
e entidades civis têm levantado pontos polêmicos
no texto, questionando algumas das proposições
apresentadas e cobrando justificativas técnicas para
determinadas alterações.
Para o presidente do Crea-BA, Jonas Dantas, a iniciativa da
revisão do PDDU deve ser ressaltada, já que o
texto anterior foi aprovado em 2004 sem que houvesse o devido
envolvimento da sociedade. A proposta, conforme Dantas, precisa
ser agora amplamente discutida com base em alguns princípios
centrais que devem nortear o novo documento. Dentre eles, considerar
o desenvolvimento sustentável do município como
um todo, observando seu entorno metropolitano; admitir que o
turismo não sustenta a economia da cidade e não
pode ser colocado no centro das atenções; reconhecer
as desigualdades urbanísticas com forte segregação
social que caracteriza a vida urbana da cidade; ordenar de modo
contundente o uso do espaço público; pensar na
mobilidade e na acessibilidade; preservar os recursos ambientais
e não perder de vista que o espaço urbano deve
incorporar e respeitar a diversidade cultural que caracteriza
a cidade de Salvador.
“Considerando estas premissas, o Crea-BA já constituiu
uma comissão multidisciplinar que está avaliando
todo o conteúdo da minuta com o objetivo de propor as
mudanças necessárias”, afirma.
Exoneração no meio do caminho
Na
data em que pediu exoneração do cargo, 11
de setembro, o ex-secretário de Planejamento e Meio
Ambiente, arquiteto Itamar Batista, esteve no auditório
do Crea-BA exatamente para falar sobre o novo PDDU. Batista
apresentou o texto em linhas gerais e ouviu objeções
sobre pontos específicos do documento que iam desde
a liberação do gabarito na orla (aumento do
número permitido de pavimentos) até a cobrança
de estudos técnicos e políticas mais sólidas
sobre questões como engenharia de tráfego,
adensamento urbano e proteção ambiental. A
partir da divulgação do documento, a ênfase,
segundo Batista, seria justamente ampliar o debate, buscando
maior participação da sociedade civil, o que
foi confirmado pela secretária recém-empossada,
a arquiteta Kátia Carmelo. “Com as audiências
públicas, enfatizaremos a participação
dos cidadãos nesse processo”, compromete-se.
Os técnicos da Seplam argumentam que a minuta atual
teria tornado a Lei mais inteligível com a diminuição
significativa do número de páginas em relação
ao documento anterior. Embora concorde que o texto atual
avança do ponto de vista de sua estrutura, o diretor
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Ufba, professor
Antônio Heliodório Lima Sampaio, questiona
o conteúdo do PDDU apresentado. “Não
houve avanço. Questões centrais como uma boa
articulação entre o uso do solo e o transporte
e sistema viário permanecem problemáticas.
Continua-se propondo adensamento de áreas onde o
sistema viário já está saturado. Além
de tudo, este Plano está baseado em dados antigos,
de 1995”, contra-argumenta.
Um outro
ponto questionado, antes mesmo da divulgação
oficial da minuta, refere-se ao aumento do gabarito em determinados
trechos da orla marítima, isto é, a permissão
para se construírem mais pavimentos em regiões
consideradas nobres.
Segundo
o coordenador de Planejamento de Desenvolvimento Urbano
da Seplam, arquiteto Fernando Teixeira, a proposta apresentada
para avaliação pública não libera
propriamente o gabarito da Orla, apenas redefine os parâmetros
de sua ocupação. “Especialmente na chamada
Orla Atlântica, a altura permitida das edificações
foi ampliada, incorporando-se critérios adicionais
de modo a evitar o sombreamento da faixa de praia e também
ampliando os recuos das edificações em relação
às divisas dos terrenos para permitir melhores condições
de ventilação“, explica. Na avaliação
do professor Heliodório, não existiria clareza
sobre os critérios que levaram a tais alterações.
“Até agora não vi nenhum estudo ou argumento
técnico que justifique esta opção.
Existe sim a visão equivocada por parte da Prefeitura,
supondo que, ao se liberar o gabarito da orla, haveria um
dinamismo econômico nestas áreas. A verticalização
não evita que determinada área urbana entre
em decadência econômica no futuro“. Segundo
o professor, há ainda impedimentos do ponto de vista
legal, vinculados à preservação do
patrimônio natural da região, que se chocariam
com as propostas contidas no novo PDDU. “Parte da
orla marítima de Salvador está tombada, isto
é, há restrições que asseguram
a preservação da região. O mais surpreendente
é que há um total desconhecimento disso”,
alerta.
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O que diz a OAB
“A participação popular na discussão
do PDDU é um imperativo legal. É como um dos
princípios inscritos no Estatuto da Cidade. As audiências
públicas, se forem bem encaminhadas, podem ser satisfatórias.
Do ponto de vista do tratamento dos problemas que afetam o
patrimônio ambiental do município, não
vi no documento a existência de uma política,
no sentido amplo da palavra, acerca
da preservação desses recursos”.
Advogado
Rubens Nunes Sampaio - coordenador da Comissão de Defesa
do Meio Ambiente da Ordem dos Advogados / Seção
Bahia (OAB-BA)
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