Passeios públicos
Responsabilidade coletiva

Seminário no Crea discute alternativas para transformar as calçadas em espaços inclusivos

Por Sivaldo Pereira

A existência de passeios públicos que facilitem a mobilidade e respeitem as diferenças dos cidadãos tem sido um dos pilares para a transformação das cidades em ambientes mais inclusivos. Esse foi o foco do I Seminário Baiano de Calçadas realizado pelo GT de Acessibilidade do Crea.

Além dos aspectos técnicos e das políticas públicas para as vias de pedestres, a relação entre calçadas e a vida social das cidades entrou na pauta do encontro. “O diálogo com a sociedade é fundamental na busca das soluções. Ao mesmo tempo, o engajamento do poder público na elaboração de leis específicas e claras é imprescindível para a melhoria das condições de acessibilidade no espaço urbano”, salientou o presidente do Crea-BA, Jonas Dantas.

Presente ao encontro, o vice-presidente do Confea, Paulo Bubach, enfatizou que qualquer avanço passa necessariamente pela tomada de consciência da população. “O sistema Confea/Crea tem contribuído junto aos Conselhos Regionais com o debate sobre acessibilidade, lançando uma campanha nacional e apoiando iniciativas como as do GT do Crea-BA”, lembrou o engenheiro.

Em diferentes momentos, os palestrantes exemplificaram que os problemas dos passeios vão desde a utilização de material impróprio, passando pelo desalinhamento e desnível da superfície e a falta de padronização para, por fim, recaírem numa legislação ambígua quanto à responsabilidade de construção, manutenção e conservação dessas vias.

Próximo do ideal


Acessibilidade – As calçadas e passeios devem assegurar a completa mobilidade dos usuários, especialmente das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Largura adequada – deve-se atender às dimensões necessárias na faixa livre de circulação (largura mínima recomendada de 1,50 m), possuir faixa de serviço e de acesso às edificações. A calçada deve ser projetada para acomodar o maior número possível de pessoas andando simultaneamente.

Qualidade espacial – caracterizar o entorno e o conjunto das vias com identidade e qualidade no espaço
Segurança – propiciar segurança e tranqüilidade ao ato de caminhar.

Continuidade – a calçada deve servir uma rota acessível ao usuário, caminho contínuo e facilmente perceptível, resguardando sempre seus aspectos estéticos e harmônicos.

Espaço de sociabilização – deve oferecer espaços de encontro entre as pessoas para a interação social na área pública.

Desenho da paisagem – organizar todos os elementos da via, propiciando climas agradáveis e contribuindo para o conforto visual do usuário.


Fonte: Guia para mobilidade acessível em vias públicas da Secretaria de Habitação do Município de São Paulo

 


“Em 2005, o Governo Federal disponibilizou R$ 6 milhões para o Programa Nacional de Acessibilidade. Isso não cobre nem 8% das demandas atuais”
Augusto Valeri – gerente das Políticas de
Mobilidade da Secretaria Nacional de
Transporte e da Mobilidade Urbana

“Pensar as calçadas implica mexer com a vida das pessoas. É mais do que a aplicação de uma norma técnica: é incorporar uma nova filosofia no modo de projetar”
Islândia Costa, arquiteta e urbanista.

“Nós, técnicos, temos que incorporar a percepção e a opinião do cidadão sobre os passeios. O saber técnico precisa estar conectado com os beneficiados
para que não os transformemos em prejudicados”
Francisco Ulisses, arquiteto e professor da Uneb

“A questão não é falta de dinheiro, mas prioridade de investimento. Gastam-se milhões anualmente com tratamento e reabilitação de pessoas que se acidentam nas calçadas” Edison Passafaro, presidente
do Instituto Brasileiro de Acessibilidade,
Mobilidade Urbana e Desenho Universal.


O I Seminário Baiano de Calçadas contou com o patrocínio da ABCP, Interloc, T&A, Concretiza, Odebrecht e Casas de Sauípe, Cocas, Senge-BA, Sinarq, IAB -BA, CEB, Faufba, Sucom e STP.

 

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