| Entrevista
Gestão
participativa e inserção política
Com Jonas Dantas, engenheiro agrônomo e presidente do Crea-BA
| Um
ano após assumir a presidência do Crea-BA, cargo
para o qual foi eleito com ampla maioria dos votos, Jonas
Dantas faz análise de sua gestão. Além
das conquistas que marcaram os primeiros 12 meses de sua administração,
o engenheiro agrônomo formado pela Ufba traça
as prioridades para 2007. Nesta entrevista, Dantas também
relata seu empenho no sentido de inserir o Conselho nas discussões
de interesse social e, principalmente, concretizar uma ampla
campanha de valorização profissional.
|
Revista
Crea - O senhor listou a valorização profissional
e a representatividade política do Crea como prioridades
para o seu mandato. Como tem tratado essas questões?
Jonas Dantas - Estes dois pontos são considerados
centrais para um projeto efetivo de fortalecimento do Conselho.
Em termos de representatividade política, avançamos
de forma significativa nesta primeira fase de ações.
Inserimos o Crea-BA nos grandes debates políticos locais
e regionais. Estreitamos os laços com diversas entidades
de classe e da sociedade civil; assumimos cadeiras importantes em
conselhos, fóruns e comissões de interesse público.
Defendemos o respeito ao profissional da área tecnológica.
Neste mês de dezembro, divulgamos peças publicitárias
em vários pontos de Salvador e em todas as cidades com Inspetoria
tratando exatamente da abrangência dos serviços prestados
por engenheiros e arquitetos. Fizemos o mesmo com os engenheiros
agrônomos. E a proposta é que, gradativamente, possamos
estender essa visão para os técnicos e demais categorias.
Em 2007, lançaremos uma campanha publicitária focada
justamente na importância das categorias vinculadas ao Sistema
Confea/Crea.
RC - Na Bahia, o Crea marcou presença, em 2006, no
Coman, no Conselho Municipal de Transportes e no Fórum do
São Francisco. Além disso, deverá participar
da Comissão Permanente de Acessibilidade. Qual a perspectiva
em relação a essas instâncias?
JD - Nossa proposta é participar ativamente
de todas as instâncias que envolvem a área tecnológica
e o interesse coletivo, dentro e fora da Bahia. Nacionalmente, coordenamos
o GT de Meio Ambiente do Colégio de Presidentes e representamos
o Confea junto ao Ministério do Meio Ambiente para assuntos
relativos ao Rio São Francisco. Ou seja, agimos ativamente
nas áreas de transporte, acessibilidade, meio ambiente, recursos
hídricos e desenvolvimento urbano. Temos a obrigação
de defender o interesse público sob o prisma do conhecimento
técnico que nós, profissionais do Sistema, acumulamos.
RC
– Recentemente, foi aprovada a Lei do Super Simples com forte
pressão do Sistema Confea-Crea. Como o senhor vê esse
avanço?
JD - Neste último ano, os Creas e o Confea
passaram por um importante processo de reestruturação.
Temos hoje uma maior clareza do nosso papel no desenvolvimento de
um projeto de nação. Debatemos e cobramos, junto aos
poderes públicos, espaço para que a área tecnológica
seja encarada como um meio de superação dos entraves
econômicos e sociais que o País enfrenta. Um
desses entraves é a intensa carga tributária que engessa
e inviabiliza os pequenos empreendimentos. A Lei do Super Simples
não apenas alivia esta distorção como incentiva
o aquecimento do mercado. O Sistema Confea/Crea não só
apoiou como pressionou para que as engenharias e a arquitetura estivessem
contempladas na nova lei.
RC - Em termos administrativos, quais
foram as mudanças implementadas?
JD - Investimos na modernização da
nossa infra-estrutura para minimizar custos e aumentar eficiência.
Acrescemos em 19% a rede interna de microcomputadores. Duplicamos
o uso de palm-tops nas atividades de fiscalização
com a meta de aumento em 200% em relação ao início
de 2006 já a partir do ano que vem. Adquirimos novos veículos.
Realizamos concurso público para a contratação
de novos funcionários e iniciamos o debate interno sobre
plano de cargos e salários. Tudo isso sem perder de vista
nossa responsabilidade enquanto gestor público. Isto é,
o Crea-BA fecha 2006 com as contas equilibradas.
RC - No interior, o senhor aprovou
a aquisição de sede para a Inspetoria de Feira de
Santana, a criação de uma nova delegacia em Barreiras,
a ampliação do quadro funcional e sinaliza para a
criação do Colégio dos Inspetores. Fale sobre
essas conquistas.
JD - Essas ações refletem o “projeto
de interiorização”. Reconhecemos as dificuldades
enfrentadas pelos profissionais que atuam no interior. Estamos mais
presentes nessas localidades. Durante a campanha, mapeamos as demandas
e, dentro do possível e de nossas limitações
orçamentárias e legais, atendemos as reivindicações.
Com a criação do Colégio de Inspetores, queremos
propiciar maior integração e a troca de experiências
entre as inspetorias e a sede.
RC - O senhor foi convidado para assumir a coordenação
do Colégio de Presidentes, um dos mais importantes cargos
do Sistema Confea/Crea. Mas não aceitou. Por quê?
JD
- No primeiro ano de mandato, nós obrigatoriamente
temos que ter uma visão bem abrangente do nosso objeto de
trabalho. Preocupo-me em ouvir e dialogar como meios de driblar
as dificuldades e ampliarmos nosso leque de ação.
Fiquei honrado com o convite, mas, nesse momento, preciso estar
voltado para determinadas demandas regionais. O que não significa
que deixaremos de ser atuantes nos debates nacionais. Nosso empenho
nesse sentido permanece inalterado.
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