urbanismo
Jan Gehl e a reconquista dos espaços

Coordenador dos trabalhos de revitalização do centro de Londres para as Olimpíadas de 2012, o urbanista Jan Gehl esteve em Salvador para falar sobre como devolver as cidades às pessoas. Diretor do Centro de Pesquisa de Espaço Público da Academia Real Dinamarquesa (Copenhague), ele destacou o trabalho realizado em grandes metrópoles

Por Jane Fernandes

Circulação de pessoas

"Nas cidades que visitei, normalmente tudo é conhecido sobre o tráfego, quantos carros passam naquela via, de onde saíram e para onde estão indo. Mas pouco se sabe sobre os pedestres, sobre a vida pública. Dizem que todas as intervenções são feitas para as pessoas, mas sequer existem dados que mostrem como de fato elas serão beneficiadas". Gehl mostrou como há 100 anos os pedestres andavam livres e atualmente circulam "espremidos" pelos carros. "Foram priorizando a sobrevivência do mais rápido, então as condições para as pessoas pioram a cada dia", analisa. Ele alerta para o fato de que nenhuma cidade consegue construir ruas em quantidade suficiente para os carros e que esta ocupação excessiva por veículos afasta as pessoas das ruas. Para exemplificar, cita a cidade Atlanta (EUA), onde permaneceu por cinco dias e avistou apenas um pedestre em todo esse período. Na sua opinião, isto acontece porque o centro da cidade é como um grande estacionamento e não tem calçada.
"Quanto mais fazemos estradas, mais tráfego é gerado. Isto é um convite a dirigir. Não há uma única cidade que não constate isso (...) Após o terremoto de 1989, muitas auto-estradas de São Francisco (EUA) foram danificadas, uma delas acabou sendo transformada em boulevard e, a partir daí, as pessoas começaram a ter um novo olhar quanto à presença dos carros"..

Salvador

"A cidade tem prédios fabulosos, estrutura fantástica e potencial incrível e não vai precisar de muito para que seus habitantes se tornem mais felizes". Gehl aconselhou os gestores públicos a trabalharem cuidadosamente para equilibrar três aspectos: encontro, mercado e locomoção. Ele considera que existem muitos carros, um mercado desordenado e a questão do encontro entre as pessoas ainda não foi trabalhada. Embora enfatize o uso das bicicletas na maioria dos seus projetos de "reconquista" das cidades, o urbanista reconheceu que a medida não teria ampla aplicabilidade em Salvador. "Creio que aqui funcione em algumas partes, mas em outras seria muito complicado", avaliou, levando em consideração o clima quente e a
grande quantidade de ladeiras.


 

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