| ambiente
O ano do planeta
Ecopaisagismo, aquecimento
global e uso indiscriminado de
agrotóxicos em debate no Crea
Por Cleide Nunes 
2008 é considerado pela ONU
o Ano Internacional do Planeta Terra.
E com o propósito de discutir questões
fundamentais para o equilíbrio
ambiental, o Crea realizou, em parceria
com a Associação de Engenheiros
Agrônomos da Bahia (Aeaba), dois
Congressos Norte-Nordeste nas áreas
de Agronomia e Ecopaisagismo.
Apontado como um dos piores
entraves ambientais da atualidade,
o aquecimento global foi colocado
em pauta. Para o engenheiro agrônomo
Hilton Silveira Pinto, apesar
das estatísticas alarmantes, a fase
pode ser revertida. “Precisamos
cultivar o processo de arborização,
reduzir as queimadas, trazer mais
oportunidades tecnológicas para o
agricultor e, com isso, incentivar as
práticas agrícolas”.
A responsabilidade dos engenheiros
agrônomos na busca por
alternativas cada vez mais limpas e
sustentáveis foi consenso entre os
participantes dos congressos. De
acordo com Lucedalva Xavier, presidente
da Aeaba, “os profissionais,
assim como os estudantes, precisam
estar comprometidos com as
questões sociais e com o equilíbrio
ambiental”.
Já a coordenadora da Câmara de
Agronomia do Crea-BA, Maria Higina
do Nascimento, citou que, desde
a produção do alimento até a sua exportação,
passando pela agricultura
familiar, é preciso repensar que modelo
agrícola deve ser implantado no
Brasil. “Mudanças climáticas e escassez
de água são debates essenciais.
Temos que chamar a atenção de
todos para as responsabilidades individuais
e coletivas. A fome no País
e a contaminação dos alimentos são
fatores inadmissíveis”, alertou Higina
do Nascimento para o fato de que o País gasta 2,5 bilhões de dólares na
compra de agrotóxicos, sendo o terceiro
maior consumidor do mundo.
A preocupação do Conselho nessaárea foi confirmada também na
6ª Semana de Agronomia, cujo foco
foi a realização, em 60 municípios,
de Fiscalização Preventiva Integrada
voltada para a questão dos agrotóxicos.
Foram realizadas mais de 600
visitas técnicas.
Conforme explica o engenheiro
agrônomo Manoel Baltazar, professor
da Universidade Federal de São
Carlos, o uso de agrotóxico, além
de onerar a pauta de importações,
eleva os custos de produção dos alimentos,
reduzindo as ocupações no
campo, principalmente em função
dos herbicidas.
Uma das formas mais saudáveis
de ajudar na sustentabilidade do planeta,
ainda de acordo com Baltazar,é o consumo de produtos orgânicos,
produzidos sem o uso de agroquímicos
(agrotóxicos e fertilizantes de
síntese concentrados e altamente
solúveis) e espécies transgênicas. “Os benefícios advindos desses alimentos
são comprovados tanto para
aqueles que os consomem quanto
para os trabalhadores rurais e também para o meio ambiente, que fica
livre da poluição”.
Na outra ponta das discussões,
o ecopaisagismo também mereceu
destaque. Os motivos da procura
cada vez maior por essa área são justificados
pelo arquiteto e paisagista
Benedito Abbud. Segundo ele, nunca
se falou tanto nas questões ambientais,
na natureza e na paisagem
como hoje. “Devemos aproveitar
todas essas discussões para projetar
espaços com a inserção de princípios
ecológicos, como praças arborizadas,
calçadas culturais e acessíveis.
Assim, as pessoas passarão a encarar
de uma outra forma tanto o espaço
público quanto a preservação do
meio ambiente”.
As flores são exemplos típicos de
como a Bahia pode incentivar o cultivo
de plantas ornamentais. O Estado é responsável por 2/3 da mata
atlântica do Norte-Nordeste, onde
existem inúmeras espécies nativas. “Temos condições ambientais favoráveis
para dar flores o ano todo e não devemos nada a nenhuma região
do mundo. Agora vamos pensar
no processo de crescimento das
nossas espécies”, disse o agrônomo
Stênio Barbosa.
Para congregar os profissionais
do paisagismo, foi criada a Associação
de Paisagistas da Bahia. Na
avaliação do presidente, engenheiro
agrônomo Alex Sá Gomes, a entidade
representa um marco na história
do paisagismo, já que necessitava
de mais organização para se expandir. “A principal meta da nossa entidade é integrar os paisagistas do
estado, pensando na expansão de
projetos que primam pela harmonia
do nosso meio. Após essa concretização,
com certeza o ecopaisagismo
na Bahia vai ganhar uma dimensão
histórica e importante”, conclui
Alex Gomes.
| US$ 2,5 bi
é quanto o País gasta na
compra de agrotóxicos,
sendo o terceiro maior
consumidor do mundo.
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