| banda larga
Internet
tem preço
nas alturas
Valores cobrados
na Bahia estão
entre os mais caros,
conclui relatório
do coordenador
da Câmara de
Engenharia Elétrica
Por Jane Fernandes
O acesso à internet banda larga é caro e bastante limitado em toda
a Bahia, não tendo cobertura plena
nem mesmo em Salvador. Essa é uma das conclusões contidas no
parecer do coordenador da Câmara
de Engenharia Elétrica do Crea-BA,
Roberto da Costa e Silva. A avaliação
do sistema foi solicitada pelo Instituto
de Estudo e Ação pela Paz (Iapaz),
entidade que deu o passo inicial da
campanha para reduzir os custos
desse serviço em território baiano.
No documento, o engenheiro
eletricista Costa e Silva explica que
os valores cobrados no Estado não
têm justificativa técnica. O sistema
ADSL, que aqui tem o Velox como
maior exemplo, utiliza a mesma infra-estrutura usada para a realização
de ligações telefônicas. Segundo
demonstra o coordenador, o único
investimento que a operadora de telefonia
fixa, no nosso caso a Telemar,
precisa fazer para oferecer a internet
banda larga é a instalação de um
equipamento modulador na central
telefônica.
Basta este aparelho para que a
linha telefônica cumpra sua função" tradicional de transmitir voz e adicionalmente
possa fazer a transmissão
de dados. Com base nesses argumentos,
Costa e Silva defende que
o serviço seja estendido a todos os
bairros de Salvador e a todos os municípios
da Bahia. “Dessa maneira,
a operadora divide os seus clientes
em categorias e, se for observar, as áreas que não têm acesso são justamente
as de menor poder aquisitivo”,
avalia.
Na opinião do engenheiro, fica claro
que a Telemar só instala os moduladores
nas localidades e municípios
que pareçam financeiramente interessantes,
ou seja, que tenham uma
grande demanda pela utilização do
serviço. Para reverter esse quadro e “fazer justiça social”, ele acredita que
existe apenas uma solução: a criação
de tarifas diferenciais. Assim, em lugar
de todos pagarem o mesmo valor
de assinatura, os moradores de
regiões que não têm acesso ao Velox
pagariam menos.
Costa e Silva cobra uma intervenção
da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) nesse sentido,
ressaltando que o órgão é pouco
atuante. No entanto, a assessoria de
comunicação da Anatel argumenta
que “no serviço de comunicação
multimídia não há obrigação de
universalização”. Dessa forma, a
operadora está livre para oferecer a
internet banda larga em locais selecionados
de acordo com os critérios
de mercado. A assessoria esclarece
ainda que a agência segue a política
do setor – determinada pelo Ministério
das Comunicações – e sobre esse
tema não tece comentários.
Classificando o Velox como um “serviço de valor agregado”, a assessoria
de comunicação da Telemar
admite que a expansão acontece
conforme a demanda e viabilidade
mercadológica. Para reforçar as justificativas
para a exclusão de determinadas
localidades e municípios, a
empresa destaca que a instalação
da internet banda larga depende de
uma análise prévia da linha telefônica
quanto à capacidade da central à
qual está ligada e à infra-estrutura
do endereço em questão.
O coordenador da Câmara de Elétrica
explica que estas condições, na
verdade, interferem na velocidade da
conexão que poderá ser instalada.
Ele lembra que a transmissão de dados
via ADSL, com capacidade de 54
Mbps, já é uma realidade em alguns lugares do mundo e que no Brasil
conexões de até 8 Mbps são ofertadas.
No entanto, para poder oferecer
esta configuração, a operadora do
sistema precisa investir na melhoria
do cabeamento ou implantar novas
centrais telefônicas.
“Quando o bairro cresce muito, é
mais vantajoso colocar novas centrais”,
acrescenta Costa e Silva. Isso
porque a velocidade de transmissão
de dados é inversamente proporcional à distância entre a residência que
usa o serviço e a central telefônica.
Atualmente, a conexão mais veloz
oferecida aos usuários baianos é
de 1 Mbps, a um custo mensal de
R$ 159,90. A mesma configuração é
oferecida aos moradores do Rio de
Janeiro e de Belo Horizonte (MG)
por apenas R$ 34,90. Assim, apenas
uma mensalidade local daria para
garantir quatro meses de serviço nas
capitais carioca e mineira, com uma
sobra de R$ 20,30.
Mais uma vez, o engenheiro eletricista
defende a intervenção do governo
federal para acabar com esta
diferenciação de preços, que prejudica
principalmente os estados do
Nordeste e Norte. Para se ter idéia,
no Amazonas, a mensalidade cobrada
por uma conexão de apenas 600
Kbps é de R$ 429,90. A Anatel, por
meio de sua assessoria de comunicação,
argumenta que não pode interferir,
pois o serviço de comunicação
multimídia é de âmbito privado e
por isso não obedece a tetos tarifários,
tendo os preços determinados
pelo regime de mercado.
Dessa forma, a “fiscalização” do
cumprimento das regras contratuais
seria a única intervenção permitida à Anatel em relação aos serviços de
internet banda larga.
Quanto ao número
de processos e queixas contra
a Velox, foram registrados pelo Procon,
na Bahia, apenas no primeiro
semestre deste ano, 1.313 reclamações,
com um total de 105 processos
instaurados contra a empresa.
No que diz respeito à existência
de projetos para levar a internet
banda larga para mais bairros de Salvador
e outros municípios baianos, a
Telemar limita-se a informar que estuda
a expansão do serviço, tanto na
Bahia quanto em todo o País.
| Média das mensalidades
por estado
Bahia R$ 159,90 (1 Mbps)
Rio de Janeiro R$ 34,90 (1 Mbps)
Amazonas R$ 429,90 (600 kbps) |
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