entrevista
Entrevista Jonas Dantas

Participação e responsabilidade social

"Pretendemos promover uma articulação com as universidades, com o intuito de aproximar profissionais, professores e estudantes, na busca por uma formação sólida".

Na presidência do Crea-BA desde 2006, o engenheiro agrônomo Jonas Dantas tem enfatizado a participação da instituição no desenvolvimento das cidades e no posicionamento técnico sobre questões de interesse social.
Especializado em planejamento regional, é o atual coordenador adjunto do GT de Meio
ambiente do Sistema Confea/Crea. Dantas
representa o Crea no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) e no conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram). Uma das marcas de sua gestão é a ênfase na interiorização das ações da autarquia.

Por Jane Fernandes

Revista Crea – O Crea-BA ganha cada dia mais visibilidade no Estado. Na sua avaliação, quais são os fatores que o levaram a este destaque?

Jonas Dantas – Acredito que o mais importante é a nossa participação efetiva na discussão do destino das cidades, na qualidade de membro dos conselhos Municipal de Meio Ambiente (Comam), Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), e de Desenvolvimento Urbano (Condurb). Neste último, tivemos um papel decisivo no alerta quanto à condução do processo de discussão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da capital, que deve permitir ao cidadão opinar sobre que cidade quer para si, para sua família, para todos. A atuação se estendeu pelo interior também, com o acompanhamento dos 164 municípios da Bahia. Em Salvador, ampliamos as atuações no âmbito da Engenharia e Arquitetura públicas, assumindo a responsabilidade de fornecer informação qualificada para a sociedade.

RC – O mesmo parece acontecer no cenário nacional? Quais ações levaram a esse reconhecimento?

JD – Salienta-se a participação do Crea-BA como coordenador adjunto do GT de Meio Ambiente. Com a institucionalização desse GT, criamos todas as condições necessárias para que possamos construir um plano básico de ação, planejamento este que dará origem à nossa Agenda 21. Iniciativas como as Fiscalizações Preventivas Integradas (FPI s) na área ambiental, que temos desenvolvido continuamente na Bahia – com destaque para as ações ligadas à Bacia do Rio São Francisco, uso de agrotóxicos e impactos das atividades de mineração – sinalizam o que devemos priorizar na discussão e atuação. Ainda nessa área, assinamos um convênio com o Ministério do Meio Ambiente para a instalação de salas verdes em todos os Creas do Brasil.

JF – Essa participação agrega valor ao Sistema como um todo?

JD – Sim. O Sistema Confea/Crea/Mútua está cada vez mais próximodas instâncias decisórias e atua para agilizar a votação de projetos de lei que são de interesse direto não só dos profissionais e das entidades relacionadas, mas da sociedade. Um deles é a lei que institui assistência técnica pública, o que vemos como fundamental para segmentos da sociedade que não têm acesso aos serviços de Engenharia, Arquitetura
e Agronomia.

JF – O mesmo vale para o aumento da representação federativa?

JD – Esse é outro projeto de suma importância e que garantirá a existência de um representante para cada Crea no plenário do Confea. Hoje, apenas 15 estados estão representados por meio de seus Conselhos. A Bahia está sem representação, assim como outros estados do Nordeste.

JF – O que tem norteado as ações ligadas às inspetorias do Crea?

JD – Fizemos um diagnóstico das nossas bases físicas, guiados essencialmente pela questão da acessibilidade, mas observando também a comodidade e adequação às necessidades do nosso trabalho. A partir daí, transferimos algumas inspetorias para construções que atendessem a esses requisitos. Também adquirimos uma sede própria para a inspetoria de Feira de Santana e estamos fazendo o mesmo em Jequié. Temos incentivado continuamente a participação dos nossos inspetores na vida política do município, participando da discussão do Plano Diretor – nas cidades às quais este planejamento se aplica – e outras determinações legais que fortaleçam o processo de preservação ambiental. A idéia é quecada inspetor possa acompanhar o progresso de sua região a partir do momento da avaliação do modelo de desenvolvimento, do modelo tecnológico a ser adotado, enfim, de todos os processos de intervenção que irão ocorrer, claro que sempre com o apoio da equipe do Crea-BA, em Salvador.

JF - Quais são as principais metas da gestão no próximo ano?

JD - Continuar no trabalho de implementação da Engenharia, Arquitetura e Agronomia públicas, principalmente no que se refere aos segmentos mais carentes, necessitados desse tipo de apoio. Outro objetivo é manter o investimento na valorização profissional, com foco ainda mais pronunciado na garantia do salário mínimo profissional, que é regulamentado pela lei 4950-A, de 1966. Vamos nos empenhar para que tenhamos os profissionais de todo o Estado, quiçá de todo o Brasil, recebendo pelo menos o piso estabelecido em lei para o desenvolvimento de suas atividades. Vamos manter também o processo contínuo de interiorização, reforçando principalmente os aspectos relacionados à fiscalização de Agronomia, Engenharia de Minas e Geologia, que são ainda muito carentes em relação aos outros setores da nossa atividade de fiscalização. Vamos também adquirir mais duas sedes próprias para as inspetorias e construir um prédio novo para a unidade de Vitória da Conquista. Finalmente, pretendemos promover uma articulação com as universidades, com o intuito de aproximar profissionais, professores e estudantes, na busca por uma formação sólida.

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