Por Jane Fernandes
Dois anos após ser o primeiro integrante
do Sistema Confea/Crea a
utilizar palmtop nas suas ações de
campo, o Conselho integra esses
computadores de mão a aparelhos
de GPS. Implantado em Salvador, o
Sistema de Fiscalização Inteligente
(SFI) dinamiza o trabalho com a elaboração
de roteiros mais coerentes
com base na localização geográfica
dos empreendimentos a serem vistoriados.
Na avaliação do presidente do
Crea-BA, Jonas Dantas, o projeto
marca ainda a busca por uma abordagem
preventiva para a fiscalização. “O sistema gera informações
mais confiáveis, sempre atualizadas
e também dados complementares
sobre o entorno da obra ou serviço
fiscalizado”, detalha Dantas.
O caráter inovador do SFI chamou
a atenção de outros conselhos
em todo o País. Antes mesmo de
ser apresentado no Colégio de Presidentes
(CP), o Crea-SP enviou uma
equipe para conhecer o modelo e certificou seu interesse em utilizá-lo. “O SFI se transformou em referência
nacional, com uma recepção extraordinária
de outras unidades do Sistema
Confea/Crea”, afirma Dantas.
Sinal disso é que representantes dos
conselhos de Alagoas, Amazonas, Rio
Grande do Sul, Rio Grande do Norte,
São Paulo e do Confea também vieram
a Salvador para conhecer o cotidiano
da “fiscalização inteligente”.
O presidente ressalta a disposição
em estender a utilização deste modelo
de trabalho para todos os Creas
da região Nordeste, o mais breve
possível.
O reconhecimento do SFI fora do
território baiano é reforçado pelo
presidente do Conselho Federal de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(Confea), Marcos Túlio de Melo,
que destaca o impacto social deste
avanço. “Os resultados de tal trabalho
proporcionam ainda mais segurança
à população e aos profissionais
da área tecnológica nos serviços
e obras realizados”, defende. Melo
aproveita para reafirmar o apoio do
Confea a todos os Conselhos Regionais que busquem a utilização das
melhores tecnologias na fiscalização
do exercício profissional.
“O sistema acrescenta a geotecnologia
ao modelo já existente,
facilitando um planejamento que
antes dependia da consulta a diversas
tabelas”, explica Antônio Cláudio
Lopes Araújo, técnico do setor de informática
do Crea-BA que participou
do desenvolvimento do SFI. Na sua
avaliação, agora é possível ter maior
controle das ações realizadas pelo
fiscal, com a coleta de informações
que servirão de base para otimizar o
trabalho.
Trabalhando diretamente com
o setor de fiscalização, Araújo pôde
observar as demandas da atividade
e, com base nisso, criar um software
específico para processar os dados
registrados pelo GPS da forma mais
apropriada. “Assim, evitamos a coincidência
de rotas. Deixamos de contar
apenas com a memória e o poder
de observação do fiscal para fazer a melhor cobertura de determinada área”, analisa.
O coordenador da fiscalização,
Wilson Jucá, acrescenta que, a partir
de agora, será possível implantar
um sistema de revezamento dos fiscais,
já que todas as referências de
localização estarão disponíveis no
sistema, com acesso para todos. A
cada dia de trabalho, o mapa receberá
pontos que identificam, por meio
de símbolos gráficos, os empreendimentos
regulares e os notificados. O
mapeamento atualizado diariamente
também irá facilitar a programação
de novas ações em um mesmo ponto,
caso de obras de grande porte que são
fiscalizadas em diferentes etapas.
A fiscal Graça Dória diz ter notado
as vantagens do SFI ainda na fase
piloto, iniciada em maio deste ano.
Agora, após alguns meses de uso
efetivo do sistema, ela avalia: “Facilitou
bastante o nosso controle do
próprio trabalho e também simplificou
o processo de intervenção de
informações à coordenação”.
Com a compra de novos equipamentos
já encaminhada, Quadros
explica que a expansão do SFI para
as inspetorias do Crea-BA deverá ser
concluída no primeiro semestre de
2008.
A expectativa do coordenador de
fiscalização Wilson Jucá é que, em
no máximo seis meses, relatórios
gerenciais sejam emitidos pelo sistema.
Assim, bastará fazer uma busca
no banco de dados para listar empreendimentos
de determinado tipo,
fiscalizados em uma cidade específica,
em certo período. A meta é que
seja possível filtrar essa pesquisa
também pela modalidade de irregularidade
identificada.
“Seria uma segunda etapa do
projeto de ‘fiscalização inteligente’”,
reforça o supervisor da fiscalização,
Eduardo Quadros. Ele acrescenta
que as ferramentas de sistema necessárias
para fazer essas buscas no
banco de dados já estão em desenvolvimento.
Atualmente, os mapas
da fiscalização são obtidos por meio
da aplicação das coordenadas no programa
Google Earth. A idéia é que o
sistema gere dados que possibilitem
intercâmbio com órgãos públicos
que requerem a localização geográfica
do empreendimento.
Segundo o assessor de relações
institucionais do Crea, José Augusto
Queiroz, a Secretaria do Planejamento
e Meio Ambiente (Seplam) mostrou
interesse em firmar uma parceria
com o Conselho. O mapeamento
georreferenciado é especialmente
interessante para a Superintendência
de Ordenamento e Controle do
Uso do Solo (Sucom) e para a Secretaria
da Fazenda (Sefaz).
De acordo com Queiroz, o modelo de integração do banco de dados
ainda está sendo definido, mas a
idéia é o compartilhamento pleno
das informações, o que tornará possível
estatísticas detalhadas quanto
a obras em andamento.
Na era da memória digital
"A implantação do
sistema baiano
irá contribuir com
a expansão e a
padronização
do trabalho dos
fiscais, sobretudo
no interior do
estado, onde
as dificuldades
de acesso são
maiores.” Afonso Lins Júnior - Engenheiro Civil,
presidente do Crea-AM
O primeiro avanço do Crea-BA
nos procedimentos de fiscalização
aconteceu em 2000, quando o setor
de informática criou o Sistema de
Controle de Infrações (SCI). Os arquivos
com papéis começaram a perder
espaço para a memória do computador.
Naquela época, as anotações
eram feitas em formulários e digitadas
no banco de dados no retorno do
fiscal à sede do Crea.
A transferência manual de dados
foi extinta cinco anos depois, com o
Sistema Móvel de Fiscalização (Creafis).
Desde então, fiscais de Salvador
e das 20 inspetorias localizadas
no interior da Bahia contam com
palmtop, o que possibilita a transferência
direta dos dados registrados
durante a fiscalização para o sistema
central. As informações também fazem o caminho inverso, garantindo
que o fiscal acesse no seu palm os
dados mais recentes.
Com o Creafis, a consulta de dados
referentes ao registro de empresas
ou profissionais no Conselho pode
ser feita in loco. O preenchimento
digital do formulário reduziu o tempo
para anotação de dados, já que as
informações cadastrais podem ser
importadas para o relatório. Dessa
forma, as chances de erro são minimizadas,
pois a memória do palm
tem todas as referências necessárias
para a caracterização de irregularidades,
além da relação de itens que
precisam ser verificados, a depender
do tipo de empreendimento.
A partir do Creafis, todo documento
emitido durante a verificação
é impresso em equipamento portátil.