Por Jane Fernandes
Trazendo uma discussão sobre
a regularização fundiária, a
tese foi desenvolvida na Universitá
IUAV di Venezia, instituição
na qual Rosana Boullosa também
apresentou sua dissertação de
mestrado sobre vazios urbanos.
Atualmente, ela é uma das professoras
da disciplina Ateliê 3, na Faculdade
de Arquitetura, e faz parte
da equipe do Centro Interdisciplinar
de Desenvolvimento e Gestão
Social (CIAGS), ambos na Ufba. No
CIAGS, Rosana coordena a residência
social do mestrado em gestão
social e desenvolvimento.
Regularização fundiária •
“Meu processo de tese é compreender
como a regularização
fundiária passa a se constituir em
solução para um problema histórico.
Estudo como esse conceito
nasce, se desenvolve e ganha força.
De que forma se estrutura em
várias partes do Brasil. Foquei nos
programas que mais colaboraram
para essa idéia que hoje temos de
uma regularização integrada, participada,
como se construísse um
processo de modelização de uma
solução. A Bahia não entra, pois o
Estado tem uma história incipiente
nesse sentido; tem Alagados,
que foi interessante, mas não contribuiu
para este grande modelo.
Modelo nacional • “Estudo as
políticas urbanas de regularização
fundiária como um processo
de inovação. Onde ocorreram essas
inovações? Quais são os nós
nos quais a regularização toma
um caminho diferente do planejamento? No estudo de todo esse
quadro institucional e cognitivo
que sustenta a regularização fundiária,
vejo que ela se distancia
do planejamento, mas quando se
difunde pelo País e começa a se
modelizar, as idéias passam a ser
tão difundidas, tão espalhadas,
que terminam se homogeneizando
e sofrendo um processo de
institucionalização precoce”.
Vazios urbanos• “Salvador
teve um processo de expansão
por partes, deixando muitos vazios
que vão se distribuindo por
toda a malha urbana e têm um
custo imenso. Se você pegar as
pessoas que moram nas bordas
e trouxer para mais perto do centro,
a cidade tem uma dimensão
menor. É preciso entender que,
na composição de valor da terra
urbana, o principal componente é a localização, o que não é uma
qualidade intrínseca do terreno,
mas dada pelo seu entorno. Então
aquele valor é produzido coletivamente, à soma de muitos esforços,
e acredito que não pode ser
apropriado somente pelo proprietário
do terreno. Isso se chama
mais-valia urbana. É preciso fazer
um mapeamento desses vazios e
recuperar sua função pública”.
Os profissionais • “É necessário
fazer com que os futuros
profissionais compreendam que,
quando estão projetando uma
casa, eles estão intervindo sobre
a cidade. Que tipo de cidade eu
estou ajudando a construir? O
que falta é esta compreensão da
dimensão social do trabalho dele,
dessa dimensão coletiva”.