Texto Cíntia Ribeiro
Reportagem Cleide Nunes
Em virtude da tramitação no
Congresso Nacional do Projeto de
Lei 4.747/2005 que autoriza a criação
dos Conselhos Federal e Regional de
Arquitetura e Urbanismo, a diretoria
do sindicato que representa as
categorias na Bahia (Sinarq) emitiu
um manifesto que alerta para a
inexistência de discussão prévia em
níveis nacional e local e aponta incongruências
no texto que tramita
no Congresso.
Os signatários do manifesto do
Sindicato argumentam que, além
de divulgar e debater amplamente
a existência do Projeto, o momento é propício para aumentar a participação
dos arquitetos e dos urbanistas
no Sistema Confea/Crea, e não
de criar um outro mecanismo que
possa vir a piorar a situação. Outra
objeção refere-se ao fato de que o
texto não traz avanços em relação
ao atual modelo de fiscalização,
tampouco ganhos concretos para
as categorias.
A avaliação acerca da sustentabilidade
do CAU foi obtida pelo Sinarq a
partir dos parâmetros contidos num
estudo preliminar elaborado pelo representante
da Federação Nacional
dos Arquitetos (FNA), em Sergipe, e
de dados fornecidos pelo Crea-BA.
Reunidos, os indicadores simulam a
estrutura mínima necessária para o
funcionamento e a manutenção dos
novos conselhos.
O cálculo estimativo levou em
conta o número total de arquitetos
e urbanistas registrados na Bahia
(3.545). A simulação usou também
como referência aqueles que estão
em situação regular: 2.014. A metodologia
considerou ainda os 417 municípios
baianos onde o CAU estaria
dividido – a sede e cinco inspetorias
nas regiões de maior concentração
de profissionais: Barreiras/Luís Eduardo
Magalhães, Feira de Santana,
Ilhéus/Itabuna, Porto Seguro e Vitória
da Conquista
O levantamento considerou duas
hipóteses: a inexistência da Anotação
de Responsabilidade Técnica,
conforme propõe o PL, e a existência
da ART, a exemplo do que ocorre atualmente
nos Creas.
A simulação constatou que o investimento
fixo para a instalação
seria da ordem de R$ 291.664,00. Se
mantidas as fontes de receita semelhantes
ao estabelecido para o Sistema
Confea/Crea, com os mesmos
valores de anuidades e taxas, incluídas
as ARTs, o modelo para a Bahia
teria um déficit anual estimado em
R$ 357.376,60. Já obedecendo ao PL
4.747/05, o valor passaria, sem a
ART e despesas de instalação, para
R$ 657.672,50. Neste caso, a anuidade
para o Conselho de Arquitetura e
Urbanismo seria de R$ 526,55.
Contra X a favor
“O PL 4747 não atende aos interesses dos arquitetos. E,
se aprovado da forma como está, trará dificuldades de
ordem jurídica e para o mercado de trabalho. O PL não
esclarece questões fundamentais como a fiscalização e
a sustentabilidade financeira. Retrocede estabelecendo
voto indireto para presidente. Regulamenta o exercício
ilegal. Assume para si, com exclusividade, a defesa da
categoria, função sindical. Além disto, a participação de
arquitetos estrangeiros no mercado nacional, bem como
colocações de “personalidade jurídica própria” entre
outras, sem dúvida vão levar o exercício da arquitetura
a um verdadeiro caos”.
Lina Almeri • diretora do Sindicato dos Arquitetos no
Estado do Rio Grande do Sul (SAERGS)
“(...) Destacaria que a Lei tem um discurso de querer
regulamentar o exercício profissional, mas, na minha
leitura, parece querer regulamentar o mercado
profissional. Não creio que o CAU vá promover
mudanças substantivas, falo da preocupação do País
como um todo. Poderão ocorrer mudanças apenas
formais em centros como SP, RJ, e quem sabe MG,
onde os arquitetos sempre tiveram uma inserção mais
política. Creio que certas lideranças do nosso campo
profissional almejam uma espécie de IAB chapa
branca, uma autarquia. Nesse sentido, a discussão do
Projeto passou ao largo da categoria (...).”
Luís Antônio de Souza • arquiteto e urbanista
“(...) Defendemos que o PL deva ser aperfeiçoado para
que não tenhamos problemas no futuro. Precisamos
resolver como manteremos os conselhos nos estados
com pouca arrecadação e mais uma série de itens. ”
Arquiteto Ângelo Arruda • presidente da
Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas
“Sou contra o PL, pois ele não sinaliza com melhorias
efetivas para as categorias. Da forma como está,
só abrange o Sul e o Sudeste, uma vez que só
será constituído nos estados com mais de 5 mil
profissionais. Essa não é a realidade do Nordeste.
Não temos como aprovar uma lei que já começa
equivocada.”
Arquiteto Carlos Ubiratã • diretor do Sinarq
“Sou favorável à criação de um Conselho exclusivo
dos arquitetos, entretanto entendo que o projeto
em tramitação apresenta falhas: a forma de
sustentabilidade não está clara (...). É falho no que
tange à questão ética (...) Existem alguns equívocos
no que se refere aos direitos autorais. Preferia que
o PL fosse melhor discutido com a categoria, com
as correções desejadas e que seu encaminhamento ao Congresso para aprovação só fosse feito quando
atendesse às demandas dos profissionais. O temor é
que não se consiga alterar o monstrengo em que se
constituiu o projeto. Mas devemos ir à luta”.
Jandira França • presidente do Sinarq
“Sou favorável ao PL. O CAU é, na verdade, a
concretização de uma reivindicação do IAB há mais
de 50 anos. Sempre tivemos uma excelente relação
com as demais categorias do Sistema, mas crescemos
e queremos sair da casa paterna para criar a nossa
própria família. Sem mágoas, naturalmente.” Paulo Ormindo de Azevedo • presidente do
IAB-BA.