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De olho nas universidades

Sistema Confea/Crea assina convênio com o MEC para supervisionar cursos de Engenharia, Arquitetura e Agronomia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Cleide Nunes

Um convênio firmado entre o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e a Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC) prevê o supervisionamento e a regulação conjunta dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Agronomia existentes no País. Assinado no final de 2007, o documento permite que o Confea tenha acesso aos projetos pedagógicos dos cursos em processo de reconhecimento e de renovação. Caberá também ao Conselho Federal indicar especialistas para as comissões destinadas à elaboração das manifestações técnicas e análise das diretrizes curriculares das instituições de ensino.

Para o presidente em exercício, Edgarde Cerqueira, a parceria representa um desafio para o avanço da qualidade do ensino. “A partir do acordo, o Conselho Federal poderá detectar eventuais falhas do sistema de Ensino Superior na área tecnológica. As distorções serão relatadas ao MEC assim como a sugestão de mudanças”, avalia Cerqueira.

Dentre as vantagens está o fato V.3, n.23, p. 12 - abr/mai/jun.2008 - Bahia ensino de que, com o convênio, o Sistema Confea/Crea dará o primeiro passo em direção à adequação das grades curriculares às necessidades de desenvolvimento e incentivo à ciência e à pesquisa do País.

O secretário da Sesu, Ronaldo Mota, garante que essa parceria é fundamental para a integração da formação acadêmica e suas interfaces com o exercício profissional. “O supervisionamento ganha uma importância crescente diante de um universo que compreende quase 2.500 instituições de ensino superior e mais de 20 mil cursos. É preciso que os diferentes indicadores da avaliação (externa e institucional, autoavaliação dos estudantes – Enade) sejam utilizados como subsídios e garantia da qualidade da oferta de cursos superiores”.

Segundo a Capes
, existem seis milhões de graduandos no País. Dos sete milhões de pessoas com formação superior, apenas cinco milhões são economicamente ativas.
Ronaldo Mota afirma ainda que o País se depara, neste caso, com um duplo cenário. O primeiro é positivo: possuir quadros de nível superior. O segundo é o grau de frustração dos graduados que não conseguem se inserir no mercado. “A reversão desta realidade não depende unicamente de mudanças na estrutura da formação dos cursos superiores, mas fundamentalmente da retomada da atividade econômica, que, a partir de investimentos, possa criar novos postos de trabalho”.

Renato Pedrosa, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), constatou que quase 2% dos estudantes brasileiros (90 mil, entre 5 milhões) se formaram em cursos superiores de curta duração, voltados para o mercado de trabalho.
Pedrosa tomou como referência dados do Censo da Educação Superior e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Nos países desenvolvidos, o índice de formação chegou a 29%. Conforme defende o pesquisador, a saída para o desenvolvimento é o investimento na formação de cursos tecnológicos, focados em uma área de conhecimento.
“O Estado pode e deve estimular a oferta desses cursos. As associações profissionais poderiam expandir o seu escopo, em particular os Creas. O setor privado já está mudando no sentido de atrair pessoas com este tipo de formação”.

Na avaliação do professor e engenheiro Caiuby Costa Alves, o País precisa formar não apenas tecnólogos, mas profissionais plenos. Para isso deve expandir os cursos de graduação e incentivar os estudantes. “Não existe uma política que garanta o acesso dos jovens às universidades. Precisamos concretizar um projeto de políticas estratégicas para o desenvolvimento do País”.

Apesar das mudanças ocorridas no setor tecnológico nos últimos anos, Alves reforça que o poder público, entidades de classe e setor privado devem se integrar na valorização do profissional e no estímulo ao ingresso dos estudantes na área tecnológica. “Nossa população não tem renda para preencher as vagas das universidades. Isso desestimula o estudante a fazer engenharia”.

Para o aquecimento do mercado e do ensino, o secretário Ronaldo Mota acredita que a adequação da infra-estrutura da oferta dos cursos (laboratórios, salas de aula, bibliotecas, etc) e a qualificação do corpo docente das instituições irão contribuir no aprimoramento dos instrumentos de avaliação e reconhecimento do ensino. “É aqui que a questão da qualidade da educação superior ganha importância, pois assim se garante maior legitimidade dos cursos e das instituições diante da sociedade, que, a partir de indicadores transparentes fornecidos pelas avaliações do MEC, passa a acompanhar de maneira crítica as ações destes egressos; maior compromisso das IES na oferta de cursos com infra-estrutura, corpo docente e projeto pedagógico adequados às demandas sociais”.

 

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