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Edifícios verdes

Cresce na construção civil a preocupação com os impactos das ações humanas no meio ambiente

Por Jane Fernandes

Tornou-se cada vez mais comum que os prédios contemporâneos sejam projetados com uso de iluminação natural, aquecimento solar, reutilização de água e outras tecnologias que permitem uma racionalização do uso dos recursos naturais.

Para o vice-presidente do Crea-BA, engenheiro civil Edgarde Gonsalves Cerqueira, no momento em que se discutem alternativas para a redução do impacto ambiental nas construções, planejar empreendimentos sustentáveis representa investir na qualidade de vida dos usuários desse tipo de empreendimento. “O importante é que esse conceito seja empregado desde a elaboração até a execução do projeto”, reitera Cerqueira.

Sinal dessa tendência é a parceria da Coelba com a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi) para incentivar o uso de aquecimento solar nos prédios de Salvador. O presidente da Ademi, Walter Barretto, destaca uma grande adesão dos empreendedores, que percebem a necessidade de melhor gerir os recursos naturais.

De acordo com o engenheiro Thales de Azevedo Filho, conselheiro do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-BA), a Coelba tem atuado não só na divulgação dessa alternativa, mas também na capacitação de profissionais para fazer a implantação dessa tecnologia ecologicamente sustentável.

Atualmente, algumas construtoras estão erguendo prédios que incluem medidas voltadas para a construção e utilização ecologicamente sustentável, embora ainda não busquem certificação nos critérios internacionais do U.S. Green Building Council (USGBC). Os projetos estão sendo executados pela Conie Empreendimentos, Chroma Engenharia, Grupo Fator e Odebrecht, dentre outras empresas.

De acordo com o diretor de engenharia da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, Paulo Aridan, o Mundo Plaza foi concebido há três anos, quando os conceitos e parâmetros do Green Building “não eram perfeitamente claros no Brasil”. De fato, o escritório brasileiro foi aberto apenas em meados de 2007. Ainda assim, alguns itens “foram projetados para maximizar a utilização de recursos naturais”.

Outra medida de cunho ecológico refere-se ao sistema de ar-condicionado, que terá a água aquecida como subproduto, eliminando a necessidade de um sistema independente para atender a esta demanda na torre residencial prevista no projeto.

Aridan acrescenta que outras adequações estão em estudo, como a utilização de elevadores com sistema de gerenciamento de tráfego e o uso de louças e metais com máxima performance. Como a empresa já está desenvolvendo projetos voltados para a certificação pelo selo LEED (Liderança em Energia e Meio Ambiente no Projeto, da USGBC) em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o diretor de engenharia afirma que em breve a Odebrecht implantará empreendimentos semelhantes em Salvador.

“Atualmente, o cliente corporativo demanda prédios reconhecidamente ‘verdes’, exigindo certificações que farão a diferenciação quando do posicionamento do empreendimento no segmento”. Ele destaca que a aceitação também é crescente entre os clientes residenciais, que “reconhecem esta diferenciação e certamente aumentarão este nível de exigência no futuro”.

A receptividade é confirmada pelo vice-presidente da Ademi, Walter Barreto, que percebe uma disponibilidade do comprador em pagar mais para morar em um prédio que utiliza os recursos naturais de maneira sustentável. Ele ressalta que, com o maior interesse do mercado e dos profissionais da construção civil pelo tema, novas tecnologias e técnicas são desenvolvidas continuamente, ajudando a reduzir o custo desse tipo de intervenção.

O aumento do custo de um “edifício verde”, que há cinco anos era estimado em 8%, hoje varia de 3 a 5%. Na opinião de Thales de Azevedo Filho, diante da divisão de custos de uma edificação, este impacto financeiro é insignificante.

Ele explica que o investimento necessário para operação e manutenção de uma edificação durante seu ciclo de vida útil representa 80% do seu valor total. Enquanto o custo de construção representa algo em torno de 11%. Thales de Azevedo acrescenta que um empreendimento concebido dentro dos critérios de sustentabilidade tem seu custo de operação reduzido em 15% a 20%.

No Loteamento Aquarius, do Grupo Fator, as ações ecológicas mesclam soluções simples e alta tecnologia. Dentre as medidas adotadas, destacam-se o uso de energia solar para o aquecimento de água, o acionamento da iluminação das áreas comuns por cartão magnético, a implantação de caixas sanitárias com dois estágios de acionamento e a instalação de um sistema de captação de água da chuva. Outra iniciativa é a utilização apenas de madeira com certificação de reflorestamento.

Enquanto as grandes construtoras buscam certificações e o oferecimento de produtos diferenciados ao consumidor, o ambientalista e economista Juca Cunha resolveu usar seu empreendimento para demonstrar a viabilidade do consumo responsável. Ele e os arquitetos envolvidos no projeto e construção do espaço pesquisaram novas e velhas técnicas.

Assim, ergueram paredes de adobe, instalaram um telhado de grama (bom isolante térmico), fizeram paredes artesanais de bambu, usaram o cimento CP-3 (que emite menos CO2 na sua fabricação e raramente é encontrado em Salvador) e implantaram um sistema de captação de água da chuva, dentre outras medidas. Cunha revela que, devido à necessidade de testar as experimentações, a obra se estendeu por 2,5 anos e teve um custo 20% a 30% mais elevado.

Para Cunha, a barreira mais complicada de transpor para ver o seu projeto concretizado foi a etapa de aprovação junto à Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom). É que as medidas ecológicas para edificações ainda contam com parâmetros estabelecidos na Lei de Ordenamento do Uso do Solo (Lous).

 

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