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Mercado sem engenheiros

Aquecimento da economia e investimentos previstos para o PAC podem levar à falta de profissionais 12 sem engenheiros

Por Sivaldo Pereira

A escassez de recursos humanos na área tecnológica poderá transformar-se em uma nova barreira para o crescimento econômico do País. Conforme a pesquisa Mercado de Trabalho para o Engenheiro e Tecnólogo no Brasil, a falta de mão-de-obra qualificada é realidade e deverá persistir nos próximos anos. O estudo foi publicado pelo Confea em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) no momento de implementação do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), cuja meta é investir R$ 503,9 bilhões em ações e obras de infra-estrutura.

A insuficiência de especialistas, principalmente engenheiros, é causada pela convergência de dois fenômenos: de um lado, o recente aquecimento da economia, que aumentou o consumo de bens e conseqüentemente fez crescer a procura por mão-de-obra qualificada; do outro, os efeitos da desaceleração da economia nas últimas décadas. “O Brasil tem cerca de 600 mil engenheiros e a deficiência atual é da ordem de 20 mil. Outro agravante é que 70% de nossos engenheiros migram para outras áreas de atividade”, estima o presidente do Confea, Marcos Túlio. Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), engenheiro civil Vicente Mattos, a indústria da Construção Civil já sente dificuldade em localizar profissionais no mercado e isso pode se agravar com investimentos do PAC que deverão levar a um crescimento extra de 10% ao ano, o que demandaria ainda mais mão-de-obra especializada.

Este diagnóstico pode ser confirmado no dia-a-dia de grandes empresas. “Faltam profissionais qualificados em todas as áreas da Construção Civil, além de bons técnicos de nível médio, avalia o diretor de Investimentos da Construtora Norberto Odebrecht na Bahia, engenheiro civil Alexandre Barradas.

E como aponta o administrador Roberto Marin, gerente de Desenvolvimento de Pessoas da Coelba, este problema também afeta outros segmentos econômicos, como é o caso do setor energético, que vem sofrendo com a falta de engenheiros eletricistas e de técnicos de nível médio. Para minimizar o problema, a Coelba tem investido em qualificação e na realização de estágios para engenheiros com o objetivo de torná-los habilitados a desenvolver determinadas atividades dentro da empresa. “A idéia é que, quando da conclusão do curso, estes sejam candidatos potenciais à efetivação pela empresa”, acredita Marin.

De modo mais imediato, as empresas têm lançado mão de diversas ações para minimizar a carência. Muitas, como é o caso da Coelba e Odebrecht, têm investido em capacitação ou especialização para suprir as lacunas. Outras buscam profissionais fora do estado ou até mesmo fora do País. “Em 2006, o Confea analisou pedido de registro de 34 engenheiros estrangeiros. Em 2007 foram 47, e em 2008 a perspectiva é que esse contingente alcance centenas de pessoas”, projeta Marcos Túlio. Estatais como a Petrobras já convocam engenheiros aposentados para reassumirem determinados postos cuja escassez de profissionais é mais crítica.

Segundo a pesquisa da CNI/Confea, 62% das empresas entrevistadas acreditam que as contratações desses profissionais vão crescer nos próximos anos. Diante desse quadro, a solução mais duradoura passa necessariamente pelo investimento e incentivo à formação acadêmica, o que requer tempo para se efetivar, como avalia o diretor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), professor e engenheiro civil Luiz Edmundo Prado de
Campos. “Atualmente, já podemos notar o interesse nos cursos do ensino médio para a área da engenharia. A formação de novos profissionais leva por volta de cinco anos. Assim, teremos ainda algum tempo para alcançar um grande número de novos graduados”.

Segundo Campos, a Escola Politécnica pretende praticamente duplicar a quantidade de vagas para os cursos de engenharia nos próximos dois anos, inclusive com oferta para o período noturno.

Além dos investimentos do PAC, a economia brasileira já vem demonstrando um aquecimento lento, mas progressivo. Segundo dados do IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB), que corresponde à soma de tudo o que é produzido no País, cresceu 5,8% no último mês de maio em comparação ao mesmo período de 2007. O estudo aponta o setor de construção civil como um dos segmentos que mais têm contribuído para esta elevação. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), também calculado pelo IBGE, variou 1,87% em maio contra 0,37% do mês anterior, considerado um aumento expressivo no intervalo de um mês.

 

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