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Sistema Confea/Crea e Mútua se prepara para o 8º Fórum Mundial da Água

16/03/2017



Ao longo deste ano, o Sistema Confea/Crea e Mútua se mobiliza para participar do 8º Fórum Mundial da Água, que será em Brasília em 2018. Entre as iniciativas, está a realização de uma série de debates para os próximos meses nas cinco regiões brasileiras. A proposta é coletar e sistematizar contribuições de profissionais da área tecnológica para o evento mundial.

Campinas será a primeira localidade a recepcionar o Preparatório da Engenharia e da Agronomia, agendado para o período de 21 a 23 de março, no Expo Dom Pedro, onde gestores públicos e especialistas em meio ambiente, água e energia, além de representantes de instituições de ensino irão discutir as possíveis soluções para a “situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos”, como adianta o engenheiro civil José Tadeu da Silva, presidente do Confea.

Confira a íntegra da entrevista concedida pelo presidente ao informativo da CBIC Mais, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção:

CBIC MAIS: O Brasil sediará, em 2018, o 8º Fórum Mundial da Água. Realizado pela primeira vez no hemisfério sul, qual a importância e significado de receber esse evento no país?

José Tadeu Silva: Eventos como o 8º Fórum Mundial da Água permitem a troca de informações e experiências entre profissionais, pesquisadores, representantes da academia, sociedade civil, lideranças do governo, empresas e organizações não governamentais. É uma agenda propícia à ajuda mútua, considerando que grande parte dos principais problemas relacionados a recursos hídricos são comuns a todos os países. Receber este grande evento no Brasil – onde estão 12% das reservas de água doce do planeta e 53% dos recursos hídricos da América do Sul – é um grande passo para discutirmos a temática sob a nossa ótica e levando em conta nossas necessidades em relação à água enquanto recurso primordial para o setor da ciência e tecnologia, para o saneamento básico e geração de energia. Nesse sentido, os debates não podem prescindir dos representantes da área tecnológica, que são fundamentais. A presença de engenheiros, agrônomos, meteorologistas, geólogos e geógrafos é muito importante, pois não se resolve problemas técnicos sem a contribuição desses profissionais.

 CM: Qual a expectativa em torno dessa edição e que temas deverão ganhar importância nesse momento?
J.T.S.: Nós, profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua, esperamos levar nossas contribuições técnicas para o diálogo que será promovido neste evento global, visando ao uso racional e sustentável da água. Pretendemos demonstrar nesta agenda internacional as contribuições e habilidades que os profissionais da área tecnológica podem dar para as áreas de planejamento e gestão, especialmente focadas no desenvolvimento, na sustentabilidade e na qualidade de vida da sociedade. Colocaremos nosso conhecimento à disposição do mundo para solucionar essa situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos, um dos grandes temas de destaque do 8º Fórum Mundial.


CM:O Confea participa da organização do evento, que deverá receber 30 mil representantes de mais de 100 países. Qual o estágio dos preparativos e quais os desafios de sediar um evento dessa magnitude?
J.T.S.: O Confea não participa diretamente da organização do Fórum Mundial Água. Somos parceiros da Seção Brasil dos Membros Brasileiros do Conselho Mundial de Água, o qual está à frente da realização do evento.

 CM:O Confea anunciou agenda de eventos regionais para preparar a participação da entidade e seus associados no Fórum Mundial da Água. Os seminários estão confirmados? Em quais cidades e datas serão realizados?
J.T.S.: Estamos com uma agenda para este ano que irá abranger todo o Brasil. Serão realizados sete eventos preparatórios nas cinco regiões brasileiras. Entre os dias 22 e 24 de março, Campinas (SP)* será a primeira localidade a receber os profissionais da área tecnológica para o debate. E de 10 a 12 de maio, será a vez de Manaus (AM) recepcionar o segundo evento. As próximas agendas estão previstas para acontecer no segundo semestre novamente na Região Sudeste, na Região da Hidroelétrica de Paulo Afonso, na Região de São José dos Campos e em Mato Grosso.

"Colocaremos nosso conhecimento à disposição do mundo para solucionar essa situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos, um dos grandes temas de destaque do 8º Fórum Mundial."
"Colocaremos nosso conhecimento à disposição do mundo para solucionar essa situação desafiadora que é a gestão adequada dos recursos hídricos, um dos grandes temas de destaque do 8º Fórum Mundial."

CM: Qual o propósito de tais eventos e quantos participantes são esperados?
J.T.S.: Cada evento preparatório será realizado em parceria com os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas), entidades de classe e com a Seção Brasil do Fórum Mundial da Água, da qual o Confea é parceiro. São esperados mais de 300 participantes, entre lideranças nacionais e regionais do Sistema Confea/Crea e Mútua, representantes de instituições de ensino da região e também do governo ligados aos setores de meio ambiente, água e energia. A proposta é reunir e formalizar as contribuições dos profissionais da Engenharia, Agronomia, Meteorologia, Geologia e Geografia sobre o desenvolvimento e a implantação de novas tecnologias sustentáveis nas áreas de água, energia e saneamento. Depois disso, os resultados desses preparatórios serão levados ao 8º Fórum Mundial da Água.

 
CM: Que agenda temática o Confea planeja cumprir nesses encontros?

J.T.S.: Em cada edição iremos tratar das demandas e peculiaridades relacionadas à bacia hidrográfica daquela região. Palestrantes especializados, representantes de instituições de ensino e lideranças do governo de cada localidade irão contribuir para os debates e elaboração de contribuições que poderão solucionar os problemas que envolvem água, energia e saneamento básico.


CM: Nos últimos anos, o Brasil passou a conviver com o desafio da chamada crise hídrica, que alcançou outras regiões do país, tornando rotina a necessidade do racionamento de água.  Quais os mecanismos para reverter esse cenário e como o Confea atua nesse campo?

J.T.S.: O Confea tem pautado o assunto em sua agenda de debates. No ano passado, por exemplo, o Conselho Federal promoveu, em parceria com entidades mundiais de Engenharia, um ciclo de palestras e diálogo acerca do tema dentro da Conferência Internacional sobre Novas Abordagens da Engenharia para o Fornecimento Sustentável de Água e Energia, realizada com apoio da Caixa Econômica Federal (CEF), Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Unesco, Organização dos Estados Americanos (OEA), União Pan-americana de Associações de Engenheiros (Upadi), Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (Febrae), Federação Mundial de Organizações de Engenheiros (WFEO), Governo Federal, Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e também da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa). Desse grande evento, resultou a Declaração de Brasília, por meio da qual os profissionais da área tecnológica se comprometem com ações que priorizem o fornecimento sustentável de água potável, de acordo com as necessidades, prioridades locais e regionais, e as condições culturais e capacidades humanas e financeiras existentes. Nesse sentido, o documento defende o engenheiro como profissional qualificado para substanciar a implementação de alternativas que contribuem para assegurar a qualidade de vida da sociedade, particularmente nas áreas de fornecimento de água. Na lista de soluções apontadas no documento, estão projeto e execução de sistemas destinados ao uso eficiente e diversificado de recursos hídricos incluindo a utilização de águas subterrâneas, de águas servidas, efluentes, desalinização e colheita de águas pluviais; a gestão de processos de conservação de recursos hídricos por meio de distribuição balanceada entre diversos usuários, nos diversos ecossistemas disponíveis; e o melhoramento da eficiência e disponibilidade de práticas de irrigação e de gerenciamento de uso de águas.

* Após o fechamento da entrevista, a data do Preparatório de Campinas foi alterada para o período de 21 a 23/3.

Equipe de Comunicação do Confea

Fonte: GCO Confea

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Edição 55 | 2017


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