X
Acesso aos Serviços

Notícias / Crea-BA

Notícias

Crise hídrica abre trabalhos do Agenda 2017

Gestão de demanda é o maior gargalo

20/03/2017


A Bahia é um dos estados mais castigados com a escassez de água. São 221 municípios que declararam estado de emergência e aproximadamente 2 milhões de baianos sofrendo com a falta de recursos hídricos. As informações são da Secretaria de Infraestrutura Hídrica da Bahia.  O assunto foi tratado no primeiro fórum do Agenda de Desenvolvimento Bahia, realizado na sexta-feira (17), na Escola Politécnica da Ufba.


Além dos problemas ocasionados pela falta d’água na Bahia, foi possível acompanhar tudo o que aconteceu durante a severa crise hídrica vivida em São Paulo há dois anos, bem como,  o que os paulistanos vêm fazendo em favor do saneamento. Todos esse detalhes foram apresentados pelo coordenador da  Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Américo de Oliveira Sampaio.


De acordo com o coordenador um dos grandes problemas do país é que não se faz uma gestão de demanda como se faz na oferta de água. “50% da população não tem rede coletora de esgotos e apenas 40% do que se coleta é tratado. Podemos dizer que vivemos hoje uma situação pré-civilizatória. É preciso repensar o saneamento no Brasil, especialmente na questão de conservação da água”.


Há 6 anos São Paulo conseguiu por meio do Banco Mundial recursos na ordem de R$ 106 milhões para serem investidos no Programa Reágua, que tem o objetivo conservar as cinco bacias prioritárias do estado, ou seja, as que a demanda atual são superiores a 80% da disponibilidade. Estão previstos no programa ações que visam o tratamento de esgoto, controle de desperdício, reuso e planos de uso. “Nossa meta inicial era reduzir o consumo em um metro cúbico por segundo e já alcançamos em seis anos um metro cúbico e meio”, comemora.


Outro passo importante do estado paulista foi a modernização do sistema de gestão econômica nos prédios públicos. Segundo ele, o governo substituiu as bacias sanitárias das edificações estatais, gerando uma economia considerável para o estado e um investimento de apenas 20% do que foi destinado ao Sistema Produtor de São Lourenço (R$ 2,2 bi).

Para o presidente do Crea-BA, engenheiro mecânico Marco Amigo, debater água é essencial tendo em vista os problemas que estão surgindo no Brasil. “A Bahia possui 14 milhões de habitantes submetidos a condições de consumo hídrico abaixo das expectativas e com condições climáticas adversas. Discutir essa temática é inadiável e é importante que os governos alinhem ações no sentido de demandar esforços para captar água de qualidade e usá-la de forma racional”, do presidente do Crea-BA, engenheiro mecânico Marco Amigo.

 

 


Edificações “flex” podem ser solução para água
Assim como os veículos, que andam com gasolina, álcool ou gás natural os empreendimentos podem ser construídos para funcionarem com água potável e não potável (de chuva, resultantes do condensadores de ar etc). Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Ricardo Franci Gonçalves, o gerenciamento de correntes hídricas inteligentes, pode ser a solução não só para a crise hídrica, mas também econômica do país.


Segundo Gonçalves, a construção civil pode ser uma grande aliada na disseminação da ideia da otimização do uso da água. “Tem o poder econômico e o conhecimento técnico, agora os engenheiros ainda são insipientes em relação a tecnologia do reuso da água”, observa.


O professor chamou atenção para a falta de normas técnicas e de regulamentações em torno do reuso. Citou a ausência de códigos de obras e de órgãos de fiscalização, o que causa insegurança em empreendedores e usuários. “É necessário a aprovação de leis municipais urgentes e investimento em pesquisas e em novas tecnologias que nos preparem para o futuro”.

 

 


Nadja Pacheco

Fonte: Ascom Crea-BA

COMPARTILHE ESTE CONTEÚDO

notícias

ver todas

revista

Revista 56

Edição 01 | 2017


outras edições