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Presidente do Crea fala sobre expectativas para Encontro Preparatório em Juazeiro

11/10/2017

 

 

 

 

No próximo dia 18, Juazeiro recebe o 6º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial da Água. Creas de todo o Nordeste bem como profissionais da área tecnológica estarão reunidos na cidade baiana para discutir questões relacionadas ao manejo sustentável dos recursos hídricos.


O presidente do Crea-BA, engenheiro mecânico Marco Amigo, fala sobre suas expectativas quanto ao evento e sobre atual situação do São Francisco, rio de importância fundamental para o povo nordestino e que enfrenta uma das piores crises hídricas da sua história.

 

Amigo acredita que o encontro do Nordeste vai produzir propostas de grande valia para o Fórum, já que pelo fato de a maior parte do território da região apresentar clima semiárido ela tem muito a ensinar sobre uso racional da água e técnicas para retardar a evaporação. Além disso, ele pontua que o Crea-BA tem investido muito em discussões aprofundadas a respeito da gestão sustentável da água. “Estamos com as atenções voltadas para a água e prontos para formular proposições para o desenvolvimento sustentável e preservação dos recursos naturais”, disse o presidente. Confira a entrevista na íntegra:

 

1) O que representa esta oportunidade de realizar encontros preparatórios antes do Fórum Mundial da Água?

Esta é uma oportunidade única para a Engenharia e a Agronomia colaborarem com um tema importante para o nosso país, o nosso estado. São essas profissões que movem o país, elas são fundamentais quando pensamos em novas tecnologias e melhoria de processos. O Sistema Confea-Crea e Mútua tem, sem dúvidas, muito a contribuir neste debate.

 

2) Quais contribuições o Crea-BA pode levar?

Podemos dizer que 2017 foi o ano da água para o Crea-BA. Realizamos dois grandes eventos tendo a água como principal tema. No Agenda Bahia de Desenvolvimento trouxemos um especialista internacional para falar sobre redução de perda de água e como fazer a gestão dos recursos hídricos em um país em que a estiagem é uma realidade permanente. Já no Semear Água, debatemos sobre a importância de como a proteção do ecossistema ajuda na recuperação e preservação dos mananciais hídricos. Afora isso, temos discussões sobre o tema no Grupo de Trabalho de Sustentabilidade. Então, estamos com as atenções voltadas para a água e prontos para formular proposições para o desenvolvimento sustentável e preservação dos recursos naturais.

 

3) No Brasil, já vivemos uma realidade de racionamento de água em algumas regiões. O que significa realizarmos o Fórum Mundial da Água no Brasil no ano de 2018?

 

Ter representantes de todos os cantos do país será muito importante em termos de conhecimento e aprimoramento dos nossos profissionais e gestores públicos. Vamos conhecer as metodologias mais modernas, os projetos mais bem sucedidos em termos de sustentabilidade e gestão de recursos hídricos, como também mostrar ao mundo o que de melhor estamos desenvolvendo aqui.

 

Por outro lado, a realização do Fórum da Água vai trazer à tona as discussões na sociedade a respeito da preservação dos nossos recursos hídricos. Aqui nós temos um patrimônio em termos de água significativo, concentrando mais de 10% da água doce de superfície do mundo. No Brasil ficam alguns dos maiores rios do planeta, como o Rio Amazonas e o Rio Negro. Isso é uma grande riqueza, mas será que estamos cuidando adequadamente deste tesouro? Tudo mostra que não. Então, esta será uma chance de avançar em termos de conscientização a respeito da necessidade de preservar nossos recursos hídricos. Ter água em abundância não significa que este é um recurso inesgotável e muito menos que podemos desperdiçá-la ao nosso bel prazer.

 

4) O que o Nordeste, região do Brasil em que predomina o clima semiárido, pode ensinar sobre a convivência da escassez de água?

A Região Nordeste sabe o que é conviver com a seca, como sobreviver usando quantidades reduzidas de água. O clima semiárido, em que predomina a escassez de chuvas, fez com que aqui no Nordeste se desenvolvessem técnicas e habilidades fundamentais no sentido de retardar a perda de água, de preservar este recurso a todo custo e mesmo assim garantir o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Temos como exemplo o projeto Um Milhão de Cisternas que ficou em segundo lugar no Prêmio Internacional de Política para o Futuro 2017. São iniciativas como esta que demonstram que o nordestino tem muito a ensinar.

5) Qual a importância de sediar o encontro às margens do Rio São Francisco?

O Rio São Francisco é um patrimônio hídrico e cultural fundamental para o povo nordestino. É ele quem garante a sobrevivência de várias comunidades e gerações em pleno sertão. Mas o rio que dá a vida está correndo risco não só por causa das mudanças climáticas, como também devido ao assoreamento do seu leito, captação ilegal da sua água, entre outras questões. Vivemos um momento em que o rio enfrenta redução no seu volume, passando por mais sua grave crise hídrica, ameaçando a subsistência de quem precisa do rio para sobreviver. Precisamos investir mais e tratar como prioridade a revitalização do São Francisco. O Velho Chico não pode morrer.

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Carol Aquino
Jornalista

Fonte: Ascom Crea-BA

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